Deu ainda o exemplo do apoio de dez mil euros às famílias para a recuperação das habitações afetadas, o que considera “insuficiente para responder às necessidades”.
O PS propõe, por isso, que “o que for acima dos dez mil euros, as famílias possam garantir até dez por cento de esforço sobre o rendimento do ano anterior, e o que for acima dos dez por cento de esforço seja assegurado por parte do Estado”.
“Estas medidas cabem no perímetro dos apoios do Estado”, assegurou. “O que é que está a faltar ao Governo? Está a faltar sensibilidade e eficácia na resposta”. “Eu muito gostaria que o Governo pudesse ter a humildade democrática de que, aquilo que o PS propõe, pudesse aceitar e, se não aceitasse, que pudesse contestar”.
José Luís Carneiro vincou também que o cargo de ministro ou ministra da Administração Interna é “um dos mais difíceis do Governo”, sendo “muito importante experiência política”. A ministra Maria Lúcia Amaral demitiu-se na semana passada.
Quanto à escolha de Paulo Fernandes para ser responsável pela reconstrução do território afetado pela tempestade, José Luís Carneiro disse que lhe parece “bem” e frisou que este “tem provas dadas na sua capacidade de executor de políticas públicas”.Executivo com “duas vozes distintas”
Questionado sobre se optaria por apoios mais amplos à população afetada mesmo que tal significasse um regresso aos défices, Carneiro respondeu que quer ainda “conhecer a posição do Governo”, já que ouviu “duas vozes distintas” no Executivo acerca desta matéria.
“O ministro da Economia veio dizer que era necessário mobilizar os apoios para a recuperação e para a resposta de emergência nesta fase”, enquanto “do ministro das Finanças houve uma posição relativamente distinta”, afirmou.
“Vi o Governo com duas posições e portanto vai ser muito importante a posição e a clarificação por parte do primeiro-ministro”, insistiu o socialista.
Quanto à sua posição enquanto líder do PS, Carneiro disse que o primeiro-ministro poderá contar com o apoio do partido para que “não faltem os apoios necessários e indispensáveis às famílias, aos trabalhadores, às empresas e às autarquias”.
“Nós olhámos para as contas públicas e desde a primeira hora entendemos que o Governo tinha a necessidade de clarificar” essas contas, defendeu.
Questionado pelo jornalista Vítor Gonçalves sobre se sente que não tem sido ouvido pelo Governo, o secretário-geral do PS respondeu que isso “é evidente para toda a gente”.
Carneiro enumerou as várias cartas que já enviou ao primeiro-ministro com propostas para áreas como a saúde, a habitação ou a defesa, acusando o Governo de “impreparação política” e de não o querer demonstrar aos seus adversários políticos.
“O Governo tem dado mostras de que não quer dialogar com o Partido Socialista e tem optado pelo Chega e pelo dr. André Ventura”, acusou.
Para José Luís Carneiro, compete ao Executivo decidir com quem quer construir a estabilidade política, que neste momento disse ser frágil. “O primeiro-ministro não pode nem deve ignorar o Partido Socialista”, alertou.
Isso acontece por “insensibilidade” e “sobranceria”, considerou Carneiro, falando em “sensibilidades que querem que definitivamente o dr. Luís Montenegro fique nas mãos do Chega”.