Alguém consegue passar a paywall?




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4 comments
  1. Ao longo de 2025 a parentalidade custou o emprego a 1997 mulheres grávidas, a amamentar e a pais em gozo de licença parental. O número, revelado ao Expresso, é da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) e resulta das comunicações obrigatórias enviadas pelas empresas sempre que pretendem pôr termo a um vínculo laboral em situações protegidas pela lei.

    Destes, a grande maioria dos casos representa contratos temporários não renovados. Até ao final do ano passado, 1777 grávidas, mulheres a amamentar e pais em licença parental viram os seus contratos temporários chegar ao fim sem renovação. É o valor mais alto desde 2020 — ano excecional marcado pela pandemia —, tendo-se observado em 2025 [mais 16 casos do que no ano anterior](https://expresso.pt/sociedade/2025-01-30-cinco-gravidas-foram-despedidas-por-dia-em-2024-numero-esta-a-subir-ha-tres-anos-3b49217d).

    Ainda que uma não renovação de um trabalhador nestas condições não seja ilegal em si mesma, nos últimos quatro anos terão sido cerca de 120 os casos em que a intervenção da CITE conseguiu recuperar o posto de trabalho, 12 deles em 2025.

    Já quanto aos processos de despedimentos, que exigem parecer prévio desta entidade governamental por se tratarem de trabalhadores mais protegidos pela lei, a CITE emitiu no ano passado 115 pareceres relativos ao fim de vínculo laboral de 219 trabalhadores. Desses, 203 eram mulheres e 16 homens.

    Mais de metade destes processos esteve associada a despedimentos coletivos. Do total de pareceres emitidos, 57 diziam respeito a despedimentos desta natureza, abrangendo 150 mulheres e 11 homens, um desequilíbrio que volta a evidenciar o impacto diferenciado em trabalhadoras mães.

    Para Fátima Messias, da Comissão para a Igualdade da CGTP, os números agora conhecidos confirmam o que os sindicatos têm vindo a sinalizar no terreno. “Em muitas situações que os nossos sindicatos conhecem, há mesmo indícios fortes de haver discriminação em função da maternidade.”

    A perceção da CGTP é também a de que estas situações atingem de forma particular mulheres imigrantes, mais desconhecedoras da lei, empregadas em sectores marcados por maior rotatividade e vínculos frágeis. Contudo, para a dirigente sindical o que está em causa não são decisões pontuais, mas um perfil estrutural de encarar estes trabalhadores. “É uma vergonha que, em pleno século XXI, estejamos a assistir a um retrocesso de mentalidade por parte das entidades patronais em relação à maternidade e à paternidade”, critica. “Encara‑se a maternidade como uma ausência, como um custo, e não como um valor social e uma responsabilidade coletiva.”

    A leitura é partilhada por Sara Falcão Casaca, professora no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), da Universidade de Lisboa, que, em resposta ao Expresso, reforça a ideia de que o problema está longe de ser novo. Persistem, argumenta, estereótipos de género enraizados que penalizam sobretudo as mulheres que são mães. “Continuam a ser percecionadas como menos disponíveis, menos comprometidas e mais propensas ao absentismo. É neste estereótipo que reside uma das principais raízes da [discriminação laboral](https://expresso.pt/sociedade/2022-04-14-E-na-licenca-de-parentalidade-que-reside-a-grande-desigualdade-de-genero-909cf342)”, assevera a investigadora em desigualdades de género no trabalho. Em contraste, acrescenta, o modelo dominante continua a assentar na figura do “trabalhador ideal”, totalmente disponível e sem constrangimentos familiares.

    Um “Eurobarómetro” de 2018 já apontava sinais preo­cupantes: Portugal surgia como o país da União Europeia onde mais mulheres admitiam que o gozo da licença parental teria impactos negativos na carreira, nomeadamente em termos de progressão e promoções (48%), valor igualmente elevado entre os [homens (42%)](https://expresso.pt/sociedade/2025-04-03-caiu-o-numero-de-pais-que-partilham-as-licencas-parentais-com-as-maes-no-ano-em-que-os-incentivos-aumentaram-8e2a18b6). Além disso, cerca de quatro em cada dez mulheres (41%) e 38% dos homens referiam que as chefias e a gestão desencorajavam, direta ou indiretamente, o recurso a este direito.

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  2. E se for preciso esses patrões FDP votam AD ou chega e falam contra o aborto de boca cheia….mas qd a criança já está neste mundo, que se foda ela e a mãe…..

  3. Perante isto, o melhor é mudar as leis laborais para estas situações deixem de ser ilegais e as mães tenham mais constrangimentos para ter filhos. Para depois precisarmos ainda mais de imigração. /s

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