Ao longo de 2025 a parentalidade custou o emprego a 1997 mulheres grávidas, a amamentar e a pais em gozo de licença parental. O número, revelado ao Expresso, é da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) e resulta das comunicações obrigatórias enviadas pelas empresas sempre que pretendem pôr termo a um vínculo laboral em situações protegidas pela lei.
Ainda que uma não renovação de um trabalhador nestas condições não seja ilegal em si mesma, nos últimos quatro anos terão sido cerca de 120 os casos em que a intervenção da CITE conseguiu recuperar o posto de trabalho, 12 deles em 2025.
Já quanto aos processos de despedimentos, que exigem parecer prévio desta entidade governamental por se tratarem de trabalhadores mais protegidos pela lei, a CITE emitiu no ano passado 115 pareceres relativos ao fim de vínculo laboral de 219 trabalhadores. Desses, 203 eram mulheres e 16 homens.
Mais de metade destes processos esteve associada a despedimentos coletivos. Do total de pareceres emitidos, 57 diziam respeito a despedimentos desta natureza, abrangendo 150 mulheres e 11 homens, um desequilíbrio que volta a evidenciar o impacto diferenciado em trabalhadoras mães.
Para Fátima Messias, da Comissão para a Igualdade da CGTP, os números agora conhecidos confirmam o que os sindicatos têm vindo a sinalizar no terreno. “Em muitas situações que os nossos sindicatos conhecem, há mesmo indícios fortes de haver discriminação em função da maternidade.”
A perceção da CGTP é também a de que estas situações atingem de forma particular mulheres imigrantes, mais desconhecedoras da lei, empregadas em sectores marcados por maior rotatividade e vínculos frágeis. Contudo, para a dirigente sindical o que está em causa não são decisões pontuais, mas um perfil estrutural de encarar estes trabalhadores. “É uma vergonha que, em pleno século XXI, estejamos a assistir a um retrocesso de mentalidade por parte das entidades patronais em relação à maternidade e à paternidade”, critica. “Encara‑se a maternidade como uma ausência, como um custo, e não como um valor social e uma responsabilidade coletiva.”
A leitura é partilhada por Sara Falcão Casaca, professora no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), da Universidade de Lisboa, que, em resposta ao Expresso, reforça a ideia de que o problema está longe de ser novo. Persistem, argumenta, estereótipos de género enraizados que penalizam sobretudo as mulheres que são mães. “Continuam a ser percecionadas como menos disponíveis, menos comprometidas e mais propensas ao absentismo. É neste estereótipo que reside uma das principais raízes da [discriminação laboral](https://expresso.pt/sociedade/2022-04-14-E-na-licenca-de-parentalidade-que-reside-a-grande-desigualdade-de-genero-909cf342)”, assevera a investigadora em desigualdades de género no trabalho. Em contraste, acrescenta, o modelo dominante continua a assentar na figura do “trabalhador ideal”, totalmente disponível e sem constrangimentos familiares.
Um “Eurobarómetro” de 2018 já apontava sinais preocupantes: Portugal surgia como o país da União Europeia onde mais mulheres admitiam que o gozo da licença parental teria impactos negativos na carreira, nomeadamente em termos de progressão e promoções (48%), valor igualmente elevado entre os [homens (42%)](https://expresso.pt/sociedade/2025-04-03-caiu-o-numero-de-pais-que-partilham-as-licencas-parentais-com-as-maes-no-ano-em-que-os-incentivos-aumentaram-8e2a18b6). Além disso, cerca de quatro em cada dez mulheres (41%) e 38% dos homens referiam que as chefias e a gestão desencorajavam, direta ou indiretamente, o recurso a este direito.
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E se for preciso esses patrões FDP votam AD ou chega e falam contra o aborto de boca cheia….mas qd a criança já está neste mundo, que se foda ela e a mãe…..
E já sabemos pelo menos onde 5 desses despedimentos foram, no Bloco de Ester… Esquerda.
Perante isto, o melhor é mudar as leis laborais para estas situações deixem de ser ilegais e as mães tenham mais constrangimentos para ter filhos. Para depois precisarmos ainda mais de imigração. /s
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Ao longo de 2025 a parentalidade custou o emprego a 1997 mulheres grávidas, a amamentar e a pais em gozo de licença parental. O número, revelado ao Expresso, é da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) e resulta das comunicações obrigatórias enviadas pelas empresas sempre que pretendem pôr termo a um vínculo laboral em situações protegidas pela lei.
Destes, a grande maioria dos casos representa contratos temporários não renovados. Até ao final do ano passado, 1777 grávidas, mulheres a amamentar e pais em licença parental viram os seus contratos temporários chegar ao fim sem renovação. É o valor mais alto desde 2020 — ano excecional marcado pela pandemia —, tendo-se observado em 2025 [mais 16 casos do que no ano anterior](https://expresso.pt/sociedade/2025-01-30-cinco-gravidas-foram-despedidas-por-dia-em-2024-numero-esta-a-subir-ha-tres-anos-3b49217d).
Ainda que uma não renovação de um trabalhador nestas condições não seja ilegal em si mesma, nos últimos quatro anos terão sido cerca de 120 os casos em que a intervenção da CITE conseguiu recuperar o posto de trabalho, 12 deles em 2025.
Já quanto aos processos de despedimentos, que exigem parecer prévio desta entidade governamental por se tratarem de trabalhadores mais protegidos pela lei, a CITE emitiu no ano passado 115 pareceres relativos ao fim de vínculo laboral de 219 trabalhadores. Desses, 203 eram mulheres e 16 homens.
Mais de metade destes processos esteve associada a despedimentos coletivos. Do total de pareceres emitidos, 57 diziam respeito a despedimentos desta natureza, abrangendo 150 mulheres e 11 homens, um desequilíbrio que volta a evidenciar o impacto diferenciado em trabalhadoras mães.
Para Fátima Messias, da Comissão para a Igualdade da CGTP, os números agora conhecidos confirmam o que os sindicatos têm vindo a sinalizar no terreno. “Em muitas situações que os nossos sindicatos conhecem, há mesmo indícios fortes de haver discriminação em função da maternidade.”
A perceção da CGTP é também a de que estas situações atingem de forma particular mulheres imigrantes, mais desconhecedoras da lei, empregadas em sectores marcados por maior rotatividade e vínculos frágeis. Contudo, para a dirigente sindical o que está em causa não são decisões pontuais, mas um perfil estrutural de encarar estes trabalhadores. “É uma vergonha que, em pleno século XXI, estejamos a assistir a um retrocesso de mentalidade por parte das entidades patronais em relação à maternidade e à paternidade”, critica. “Encara‑se a maternidade como uma ausência, como um custo, e não como um valor social e uma responsabilidade coletiva.”
A leitura é partilhada por Sara Falcão Casaca, professora no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), da Universidade de Lisboa, que, em resposta ao Expresso, reforça a ideia de que o problema está longe de ser novo. Persistem, argumenta, estereótipos de género enraizados que penalizam sobretudo as mulheres que são mães. “Continuam a ser percecionadas como menos disponíveis, menos comprometidas e mais propensas ao absentismo. É neste estereótipo que reside uma das principais raízes da [discriminação laboral](https://expresso.pt/sociedade/2022-04-14-E-na-licenca-de-parentalidade-que-reside-a-grande-desigualdade-de-genero-909cf342)”, assevera a investigadora em desigualdades de género no trabalho. Em contraste, acrescenta, o modelo dominante continua a assentar na figura do “trabalhador ideal”, totalmente disponível e sem constrangimentos familiares.
Um “Eurobarómetro” de 2018 já apontava sinais preocupantes: Portugal surgia como o país da União Europeia onde mais mulheres admitiam que o gozo da licença parental teria impactos negativos na carreira, nomeadamente em termos de progressão e promoções (48%), valor igualmente elevado entre os [homens (42%)](https://expresso.pt/sociedade/2025-04-03-caiu-o-numero-de-pais-que-partilham-as-licencas-parentais-com-as-maes-no-ano-em-que-os-incentivos-aumentaram-8e2a18b6). Além disso, cerca de quatro em cada dez mulheres (41%) e 38% dos homens referiam que as chefias e a gestão desencorajavam, direta ou indiretamente, o recurso a este direito.
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E se for preciso esses patrões FDP votam AD ou chega e falam contra o aborto de boca cheia….mas qd a criança já está neste mundo, que se foda ela e a mãe…..
E já sabemos pelo menos onde 5 desses despedimentos foram, no Bloco de Ester… Esquerda.
Para os mais esquecidos:
[https://cnnportugal.iol.pt/bloco-de-esquerda/maes/bloco-de-esquerda-despediu-cinco-trabalhadoras-que-tinham-sido-maes-ha-pouco-tempo/20250121/678f57f6d34e94b82909ed1b](https://cnnportugal.iol.pt/bloco-de-esquerda/maes/bloco-de-esquerda-despediu-cinco-trabalhadoras-que-tinham-sido-maes-ha-pouco-tempo/20250121/678f57f6d34e94b82909ed1b)
Perante isto, o melhor é mudar as leis laborais para estas situações deixem de ser ilegais e as mães tenham mais constrangimentos para ter filhos. Para depois precisarmos ainda mais de imigração. /s