Estava a ver as ofertas na BEP para Técnico Superior e é de rir para não chorar. Para quem não sabe, concorrer ao Estado é um processo burocrático de meses, com provas de conhecimentos e pilhas de papelada

O resultado? Vejam a imagem: na zona do Porto, de 10 vagas, zero são para os quadros. É tudo contrato a termo certo ou incerto.

Exigem licenciatura e currículos de excelência para depois oferecerem um vínculo que expira num instante. Como é que se atrai talento assim? É o Estado a dar o exemplo de como manter as pessoas na incerteza.

Alguém já se deu ao trabalho de fazer um concurso destes para um contrato a prazo? Valeu a pena?




joaophsantos

4 comments
  1. É a mesma coisa ao nível da União Europeia, e outros trabalhos públicos. Todos os contratos são precários.

    Uma vez vi uma entrevista onde perguntavam a uma diplomata ou wtv da UE como pretendiam reter talento com contratos precários (no caso de cientístas). A resposta foi algo do género “vamos continuar sempre a ter candidatos porque para estas pessoas não há muitas outras opções de carreira”.

    Portanto é delibrado, não é acidental. Se encontrar a tal entrevista ainda a coloco aqui.

  2. É de longe das coisas que a mim, que contrato e emprego pessoas me faz mais espécie, o Estado trata bem quem “entrou a tempo” e pessimamente quem ainda não entrou, mas constantemente apontar o dedo aos empresários sobre as más condições dos trabalhadores.

    Conheço gente que é recibo verde para câmaras há anos (situação que é supostamente ilegal), conheço câmaras em que se fazem contratos de 10 meses só para se refazerem os mesmos contratos no ano a seguir outra vez, e certo, devia ser denunciado, mas se for denunciado quem sofre é o fulano que perde o contrato.

    Se eu fizer algo como isto na minha empresa, nem denúncia é necessária, a Autoridade Tributária comunica imediatamente à ACT que eu estou a repetir um vínculo de trabalho com a mesma pessoa, e MUITO BEM por sinal. Só não entendo como não acontece por lá.

    Os anos de troika acentuaram em muito as diferenças entre quem já estava nos quadros e quem não está, congelamento de carreiras, posições eternamente temporárias. Urge uma reforma decente da função pública, coisa que achei que ia acontecer com a geringonça, mas aparentemente não era prioridade… A nova lei laboral (que não é só para público) no entanto diz-nos o que é que se quer para os trabalhadores deste país, precariedade, preço baixo, e os “Ronaldos” que fujam cedo, que a gente depois traz uns nómadas digitais que isto é giro e faz sol….

  3. Muitas vezes são necessidades pontuais. Trabalho numa área onde isso até acontece com frequência. Para gestão do PRR, por exemplo, dificilmente vão precisar de muita gente para fechar os projetos de investigação e os investimentos, e depois não há trabalho para elas. Logo, seriam FP’s encostados à box, e todos a pagar.

    A mim parece mais justo do que recibos verdes, e não sei como é o acesso depois a postos com termo incerto.

  4. É (parte da) consequência natural da diabolização constante da administração pública e de se ter legislado para evitar a todo o custo a contratação de pessoal para os quadros.

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