A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que uma em cada seis infeções bacterianas no mundo é agora resistente aos antibióticos tradicionais, revelando um agravamento preocupante do fenómeno da resistência antimicrobiana. O relatório, baseado em mais de 23 milhões de casos em 104 países, indica que a resistência aumentou em cerca de 40% das combinações entre bactérias e medicamentos desde 2018.
Segundo a OMS, o problema é mais grave em países de baixo e médio rendimento, onde os sistemas de vigilância e diagnóstico são limitados e o acesso a tratamentos alternativos é reduzido. Em algumas regiões do Sudeste Asiático e do Mediterrâneo Oriental, até um terço das infeções já não responde aos antibióticos convencionais.
Entre os casos mais preocupantes estão as infeções hospitalares provocadas por bactérias como Klebsiella pneumoniae e E. coli, que em partes de África apresentam resistência superior a 70%, limitando as opções de tratamento.
Por outro lado, foram ainda registados sinais de resistência ao último antibiótico eficaz contra a gonorreia, a ceftriaxona, em algumas zonas do Mediterrâneo Oriental.
A OMS apela aos países para que reduzam o uso excessivo de antibióticos potentes e garantam que, até 2030, 70% da sua utilização global provenha de medicamentos de primeira linha.
A organização defende ainda o reforço dos sistemas de prevenção, diagnóstico e inovação no desenvolvimento de novos antibióticos.