Esta semana divulgamos apenas lançamentos recentes, cujos regressos dos autores foram, em muitos casos, amplamente esperados. Conheça os cinco novos títulos que lhe propomos. Já sabe, diga-nos os livros ou autores que gostaria de ver no nosso Clube de Leitura. As suas sugestões são sempre bem-vindas. Boas Leituras!
“MUNDO, PÁRA QUIETO”, de Ricardo Araújo Pereira, lançado em outubro de 2025, pela Tinta da China
Crónicas inéditas em Portugal, selecionadas entre todas as que o humorista escreveu entre 2020 e 2025 para o jornal Folha de S. Paulo.
Excerto:
«O Papa não só não queria repreender-nos como leu um discurso em que dizia que era possível rir de tudo, até de Deus. Olhei para a Guarda Suíça. Os guardas nem se mexeram. Nenhuma vontade de castigar aquela heresia. Ao que tudo indicava, não era uma heresia. Olhei para cima. Nos tetos ricamente pintados vi o Céu. Uma pessoa que eu conheço está lá. Teria ela ouvido o Papa a dizer que é lícito rir de tudo? É que eu levei algumas chineladas no rabo por ela ter a opinião contrária. Receio que esteja arrependida. Não precisa. Tudo está perdoado. Sempre esteve.»
“O SEXTO SENTIDO”, de José Rodrigues dos Santos, editado em outubro de 2025, com chancela Planeta
«Um homem cai do décimo andar de um hotel em Lisboa. A polícia identifica-o: Kurt Weilmann.
Nos momentos finais de vida, balbucia palavras misteriosas: «UNIO MYSTICA… MISTERIUM TREMENDUM».
Acidente, suicídio ou homicídio? A Judiciária encontra no quarto de Weilmann uma derradeira mensagem com um nome: Tomás Noronha.
O historiador é convocado para esclarecer o seu envolvimento naquela morte. Durante o inquérito, a CIA avisa Tomás: a sua vida corre perigo. Quem atirou Weilmann do décimo andar também o quer matar. Para se salvar, terá de desvendar o mistério daquela morte.
Assim começa uma busca que irá conduzir Tomás Noronha aos segredos que envolvem uma classe de substâncias terapêuticas com propriedades milagrosas. Chamam-lhes enteógenos, expressão grega para… O DIVINO DENTRO DE NÓS.
Baseado em descobertas científicas que estão a ser estudadas pelas maiores instituições do mundo, desde Harvard até ao Centro Champalimaud, O Sexto Sentido mostra-nos o que os enteógenos começaram a revelar sobre os maiores enigmas do Universo — incluindo o mistério da morte e o sentido da vida.»
“A MONTANHA”, de José Luís Peixoto, editado em outubro de 2025, com selo Quetzal
«Este é um romance habitado por homens e mulheres de várias idades, com origem em diversos contextos, de Moçambique à Venezuela, de Ponte de Lima a Oliveira de Azeméis, que têm em comum a sua condição de pacientes no Instituto Português de Oncologia do Porto. Um escritor viaja pelo mundo e, nesse turbilhão, tenta construir um romance com todas as histórias que lhe foram confiadas, até que o impensável acontece.
Do hiper-realismo, documental e autobiográfico, ao surrealismo, à alucinação e ao delírio, A Montanha é um romance de enorme ambição, que resgata momentos de profunda empatia e ternura, que revela o ser humano tanto na sua fragilidade como na sua máxima força.
Surpreendente nas múltiplas dimensões que propõe, este romance é um extraordinário tour de force literário, um marco muito alto na obra de um dos mais importantes escritores portugueses contemporâneos e, sem dúvida, uma referência inesquecível na bagagem de qualquer leitor.»
“O DIA EM QUE TE ESQUECI”, de Margarida Rebelo Pinto, numa edição da Alma dos Livros, de outubro de 2025
«Em O Dia em que te Esqueci Margarida Rebelo Pinto leva-nos ao coração de uma mulher que amou intensamente, sofreu, tentou recomeçar… e descobriu que só a coragem de soltar o passado abre espaço para a liberdade.
Entre memórias e silêncios que dizem mais do que palavras, este romance é uma carta íntima e arrebatadora que nos mergulha num turbilhão de emoções: a dificuldade de deixar ir, a esperança de recomeçar e a certeza de que o verdadeiro amor é aquele que nos permite ser quem realmente somos»
Excerto:
«Quando amamos alguém, não perdemos só a cabeça, perdemos também o nosso coração. Ele salta para fora do peito e depois, quando volta, já não é o mesmo, é outro, com cicatrizes novas.
Às vezes volta maior, se o amor foi feliz, outras, regressa feito numa bola de trapos, é preciso reconstruí-lo com paciência, dedicação e muito amor-próprio. E, outras vezes, não volta. Fica do outro lado da vida, na vida de quem não quis ficar do nosso lado.»
“A PARTILHA DO LUME”, de A.M. Pires Cabral, editado em outubro de 2025, com chancela Assírio & Alvim.
«A.M. Pires Cabral é um poeta de um outro século, um século de poesia. Voz original e inconfundível, a sua obra ganhou maior destaque numa altura em que se ignoravam, pelo menos com esta mestria, versos sobre as vidas das gentes do campo, dos animais e outros bichos que compunham essa paisagem. Neste livro, contudo, o poeta compôs — entre inéditos e poemas revistos — uma homenagem sentida a quem consigo partilhou o lume. Num primeiro grupo dedicado a «Poetas», outro a «Pintores, etc.», o autor endereça-se, entre muitos, a Miguel Torga, Pessanha, Camões ou à própria Musa Popular, e ainda a Goya, Picasso, Da Vinci.»
Excerto:
«LAVOURA
E (como dizias, António)
se redra e cava
e pinga-lhes a testa
e imanes gemitus sciens
e polirei minha prosa
em paz com a lavoura
e com o estro mas
comigo não.»