ZAP // Vevo / MTV

A Paramount anunciou o encerramento de vários canais temáticos da MTV, um dos mais emblemáticos símbolos da cultura pop, que nos entrou de rompante pela sala nos anos 1980 e nos acompanhou durante várias gerações — mas que já não encanta a geração que procura a sua música nas redes sociais.

Quando às 12:01 horas do dia 1 de agosto de 1981 a MTV se estreou, nos EUA, o primeiro videoclip (assim se chamavam) que mostrou ao mundo foi “Video Killed the Radio Star“, na versão interpretada pelos Buggles que se tornaria um êxito incontornável nos anos 1980.

A escolha era uma irónica declaração de intenções da MTV, e efetivamente o sucesso do canal e o advento da difusão de musica em formato de video através da televisão viria a marcar o fim da era da estrela da rádio.

O canal, ainda hoje um símbolo da cultura pop, teve a sua era dourada nos anos 1980 e 90, quando nomes como Madonna, Nirvana e Michael Jackson, que estreou o seu “Thriller” no canal, marcaram o auge da MTV.

Mas ao longo de mais de quatro décadas, à medida que várias gerações com diferentes letras do alfabeto no nome mudavam de gostos e de hábitos de consumo, o brilho dos seus canais foi empalidecendo, e as audiências entraram em queda livre nos últimos anos.

Estrelas como Taylor Swift e Sabrina Carpenter já não vão à MTV lançar os seus álbuns; usam plataformas como o TikTok e as redes sociais para chegar aos seus fãs, explica a Fast Company.

O desfecho adivinhava-se: no fim da semana passada, a Paramount Skydance Corporation, atual casa-mãe da MTV, anunciou o encerramento, a partir do fim do ano, da maior parte dos seus canais na Europa e em países como o Brasil e a Austrália.

A medida afeta alguns dos canais musicais mais representativos do portefólio da marca, entre os quais a MTV Music, MTV 80s, MTV 90s, Club MTV e MTV Live. A MTV HD, o seu principal canal, continuará para já a emitir a sua programação habitual, no âmbito de uma transição gradual para modelos mais rentáveis e ajustados ao consumo digital.

Não há, para já, informação oficial que nos permita dizer que a medida se aplica à MTV Portugal, lançada em julho de 2003, mas é provável que assim aconteça. A programação do canal, que começou por emitir essencialmente videoclipes, foi dando lugar a reality shows e séries da MTV, como “Beavis and Butt-head” e “Catfish”.

Não há também ainda confirmação oficial sobre o que acontecerá nos EUA, mas o contexto económico global poderá eventualmente obrigar a empresa a mudanças semelhantes naquele que é o seu mercado mais forte.

Intocáveis para já parecem estar os MTV Video Music Awards, os famosos VMAs com que o canal premeia o melhor que se faz no mundo da música, numa cerimónia anual à qual as estrelas do momento, as tais que já não lançam as suas novidades na TV, não deixam de comparecer para receber os seus prémios.

As razões para o encerramento destes canais são, efetivamente, sobretudo económicas. A Paramount encontra-se num processo de reestruturação financeira que visa reduzir custos em cerca de 500 milhões de dólares.

Neste contexto, vários dos canais temáticos da marca foram considerados pouco lucrativos, especialmente em mercados onde o consumo de televisão tem vindo a cair acentuadamente face ao crescimento das plataformas de streaming.

A quebra de audiências, combinada com os elevados custos operacionais, conduziu a esta estratégia de “emagrecimento” na oferta televisiva. Em 2023 a empresa tinha já encerrado a MTV News, o canal de informação da MTV nos EUA, medida que levou ao despedimento de cerca de 25% dos funcionários.

Em paralelo, a MTV está a explorar novos métodos de distribuição digital e de conteúdos on-demand, que poderão compensar a perda dos canais tradicionais e permitir à marca entrar no jogo que agora importa disputar: o das plataformas de streaming.

De acordo com o relatório Fandom = Cultural Currency, divulgado no início deste mês pela Vevo, 44% dos fãs procuram atualmente conteúdos relacionados com música nas redes sociais.

Em maio, um inquérito da MIDiA Research revelou que entre os jovens dos 16 aos 24 anos o TikTok é atualmente o principal meio de descoberta musical — seguido do YouTube, dos serviços de streaming e das redes sociais em geral.

E no início do ano, um estudo conjunto do TikTok e da Luminate concluiu que o TikTok se tornou um “motor essencial na descoberta, monetização e sucesso nas tabelas musicais”: segundo o estudo, 84% das músicas que entraram na Billboard Global 200 em 2024 tinham-se tornado antes virais nesta plataforma.

O TikTok matou a estrela da MTV. Oh, a ironia.


Subscreva a Newsletter ZAP


Siga-nos no WhatsApp


Siga-nos no Google News