Ir às compras é hoje um desafio para a maioria dos portugueses. Implica uma ginástica no orçamento familiar todos os meses, dada a inflação de preços dos bens essenciais. O valor do cabaz básico voltou a subir e produtos como peixe, carne e ovos estão entre os que mais encareceram nas últimas semanas. Os portugueses fazem contas à vida, procuram promoções e comparam valores entre retalhistas — todas as estratégias são válidas para tentar poupar e combater o desperdício

A norte, há um novo supermercado que promete ajudar nesta demanda. O Sempre Bom abriu a 17 de outubro, no concelho de Viseu, e há clientes que garantem conseguir encher um carrinho por menos de 40€. 

O espaço — situado na Estrada Nacional 231, na Rua Quinta da Manhosa, Pavilhão 11 — não funciona como as grandes superfícies. Ali, tudo o que está à venda é resultado de uma recuperação de produtos rejeitados pelas grandes cadeias. Calma, não há nada fora de validade ou impróprio para consumo. Trata-se de artigos que saíram de exposição por terem embalagens danificadas, rótulos trocados e outras falhas estéticas, ou linhas descontinuadas, mas que mantêm a mesma qualidade e segurança dos que vemos nos supermercados tradicionais.

Alguns chegam também excedentes de stock de marcas conhecidas, produtos em fim de vida comercial e até mercadorias de supermercados que acabaram por fechar. Os artigos são, então, reaproveitados e vendidos a preços mais acessíveis, com o objetivo de reduzir o desperdício e promover um consumo mais consciente.

O Sempre Bom foi criado, segundo a marca, para combater o desperdício e acaba por ajudar os clientes conseguir uma conta mais leve no fim. Os preços são mais reduzidos e nas redes sociais não faltam relatos de clientes que admitem conseguir fazer compras sem gastar tanto. 

Contudo, a missão do supermercado não está assente apenas na poupança nem no combate ao desperdício. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), Portugal está entre os países da Europa que mais comida desperdiçam. Os números de 2023 apontam que, em média, cada português desperdiça 182,7 quilos por ano. Por isso, a ideia é evitar o desperdício de centenas de produtos que acabariam no lixo.