Se toda a fortuna de Elon Musk fosse repartida igualmente entre os cerca de 8,25 mil milhões de habitantes do planeta, cada pessoa receberia cerca de 120 dólares. A estimativa, divulgada pela UNILAD, ganha dimensão quando se considera o novo pacote salarial da Tesla, avaliado em um bilião de dólares. O montante, aprovado pelos acionistas da fabricante americana, poderia transformar Musk no primeiro trilionário da história moderna.

O plano prevê que o empresário receba a totalidade do valor apenas se a Tesla alcançar metas consideradas quase inatingíveis, incluindo um crescimento explosivo de receitas, uma valorização bolsista superior a oito biliões de dólares e o sucesso comercial dos futuros robôs Optimus e do serviço Robotaxi. De acordo com a ‘Reuters’, o pacote foi aprovado por mais de 75% dos acionistas da Tesla, apesar das críticas de vários fundos internacionais, que consideram a remuneração “excessiva e desequilibrada” face ao risco assumido pelos investidores.

Segundo o ‘Financial Times’, trata-se do maior plano de remuneração corporativa da história, superando de longe os pacotes concedidos a executivos da Apple, Amazon ou Alphabet. A Tesla defende, contudo, que as metas são de tal forma ambiciosas que só um desempenho “extraordinário” tornará possível qualquer pagamento efetivo.

Riqueza e desigualdade

Atualmente, Musk detém uma fortuna estimada em cerca de 500 mil milhões de dólares, impulsionada sobretudo pela participação de 15,7% que possui na Tesla e pelas posições em empresas como a SpaceX e a ‘X’ (antigo Twitter). Caso o novo plano seja integralmente cumprido, o património líquido do empresário triplicaria, aproximando-se do produto interno bruto de países como a Coreia do Sul ou a Austrália.

A ‘BBC’ recorda que, nesta escala, a riqueza de Musk ultrapassaria a de qualquer indivíduo na história contemporânea e colocaria a sua fortuna pessoal acima do valor total de empresas multinacionais como a Shell ou a Nestlé. O caso reabre o debate sobre desigualdade económica global: segundo o ‘New York Times’, 1% dos mais ricos do planeta concentra mais de metade da riqueza mundial, enquanto grande parte da população continua sem acesso a rendimentos básicos.

O contraste é ilustrativo: se o suposto bilião de dólares da Tesla fosse dividido por toda a população mundial, cada pessoa receberia cerca de 120 dólares; se fosse repartido apenas entre os cidadãos dos Estados Unidos, cada um ganharia perto de 2.940 dólares — mais do que o valor de muitos apoios públicos distribuídos anualmente. A comparação, embora simbólica, mostra a dimensão astronómica do pacote atribuído ao líder da Tesla e a distância crescente entre o topo e a base da pirâmide económica global.

O impacto e as críticas

O pacote reforça também a dependência estratégica da Tesla em relação a Musk, cuja liderança é considerada fundamental para os planos de expansão e inovação da empresa. Ainda assim, investidores institucionais, como o fundo soberano da Noruega, votaram contra a proposta, apontando riscos de governação e concentração de poder.

A Tesla mantém que a remuneração está alinhada com o valor que Musk gerou para os acionistas desde 2018, ano em que o seu anterior plano de incentivos — então o maior da história — impulsionou a valorização bolsista da empresa em mais de 1 000%.

O eventual pagamento de um bilião de dólares ao homem mais rico do mundo é mais do que uma curiosidade financeira: simboliza o poder concentrado nas grandes tecnológicas e a transformação da riqueza em escala planetária. Com metas tão elevadas quanto o próprio valor do prémio, Elon Musk volta a ser o centro do debate sobre o futuro das empresas, da inovação — e da desigualdade.