O uso generalizado de ecrãs táteis nos automóveis, cada vez mais responsáveis por controlar navegação, música e outras funções, levou o Euro NCAP a avançar com novas exigências para reforçar a segurança rodoviária. Segundo a publicação espanhola ’20 Minutos’, a organização considera que operar estes sistemas durante a condução aumenta o risco de distração, motivo pelo qual decidiu impor alterações significativas já a partir de 1 de janeiro de 2026.

Essenciais passam a exigir botões físicos

As novas orientações determinam que funções essenciais do veículo, como indicadores de direção, luzes de emergência, buzina ou o sistema eCall deixem de depender exclusivamente do ecrã tátil. Este poderá manter comandos adicionais, mas não deverá ser a única via de operação.

As interfaces digitais terão também de cumprir dimensões mínimas e espaçamento adequado nos botões sensíveis ao toque, enquanto os comandos integrados no volante terão de oferecer feedback háptico para permitir utilização sem desviar o olhar da estrada.

As informações fundamentais para a condução, nomeadamente velocidade, luzes e estado dos sistemas de assistência, terão igualmente de ser apresentadas de forma permanente numa área visível, reduzindo a necessidade de consultar o ecrã central.

Monitorização do condutor ganha papel central

Outra mudança de fundo prende-se com os sistemas de monitorização do condutor, que deixam de ser opcionais para se tornarem um dos elementos centrais da avaliação de segurança. O Euro NCAP passará a exigir câmaras internas com algoritmos avançados de inteligência artificial e tecnologia de visão computacional e infravermelhos capazes de detetar distrações, sinais de sonolência e possíveis indicadores de consumo de álcool ou drogas através da análise do olhar, do piscar de olhos ou dos movimentos da cabeça.

Os testes de segurança também serão alargados: incluem agora cenários com motociclistas, cruzamentos mais complexos e velocidades de ensaio mais elevadas, obrigando à integração de radares mais eficientes, câmaras de maior resolução e sistemas de processamento mais robustos.

Estas mudanças não têm caráter obrigatório, mas deverão acelerar a adaptação da indústria. Espera-se que o regresso dos botões físicos aos painéis se torne tendência, acompanhado por sistemas de monitorização mais completos, interfaces com feedback tátil e ecrãs concebidos para minimizar distrações, além de assistências à condução mais evoluídas.