O Exército israelita anunciou este domingo a morte de um comandante local do Hamas na Faixa de Gaza, enquanto Israel e o grupo islamista palestiniano continuam a trocar acusações de violação do cessar-fogo.

Em comunicado, os militares de Israel identificaram o comandante como Alaa Al-Hadidi, responsável pelos fornecimentos do sector de produção do Hamas. Segundo a nota, foi morto num dos ataques realizados no sábado em várias partes do território.

As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), realizaram ataques aéreos em Gaza no sábado, que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse terem sido uma resposta ao envio de um combatente do Hamas para uma área sob controlo israelita. Cinco altos membros do Hamas foram mortos, afirmou Netanyahu.

O Hamas denunciou, entretanto, que Israel violou 497 vezes o cessar-fogo em Gaza em vigor desde 10 de Outubro. Segundo o balanço do grupo islamista, 27 dessas violações ocorreram no sábado, quando uma nova vaga de ataques israelitas em todo o enclave palestiniano causou 24 mortos e 87 feridos.

“Condenamos nos termos mais firmes as contínuas e graves violações sistemáticas do acordo de cessar-fogo por parte das autoridades de ocupação israelitas”, afirmou o gabinete político do Hamas em comunicado.

Ao longo dos 44 dias desde a assinatura do cessar-fogo, o Governo de Gaza contabiliza a morte de 342 civis – a maioria crianças, mulheres e idosos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza –, 875 feridos e 35 detenções arbitrárias em incursões e rusgas para além da chamada linha amarela.

A linha amarela é a demarcação imaginária para a qual as tropas israelitas recuaram, embora ainda dentro de Gaza, quando o cessar-fogo entrou em vigor. Entre essa linha e as fronteiras de Gaza com Israel e com o Egipto, todo o perímetro, mais de 50% do enclave, está sob controlo militar israelita.

O novo balanço das autoridades do enclave sobre as violações ao cessar-fogo inclui 142 tiroteios contra civis, habitações, bairros residenciais e tendas de deslocados, 21 incursões de veículos em zonas residenciais e agrícolas, cruzando a ‘linha amarela’, 228 bombardeamentos terrestres, aéreos e de artilharia e 100 demolições de habitações e infra-estruturas civis.

Nas últimas horas, o Hamas acusou Israel de violar a trégua “com falsos pretextos” e apelou aos mediadores (Estados Unidos, Egipto e Qatar) para “intervirem urgentemente e pressionar para que estas violações cessem de imediato”.