Segundo o balanço, 27 dessas violações ocorreram no sábado, quando uma nova vaga de ataques israelitas em todo o enclave palestiniano causou 24 mortos e 87 feridos.
“Condenamos nos termos mais firmes as contínuas e graves violações sistemáticas do acordo de cessar-fogo por parte das autoridades de ocupação israelitas”, afirmou o gabinete político do Hamas em comunicado.
Ao longo dos 44 dias desde a assinatura do cessar-fogo, o Governo de Gaza contabiliza a morte de 342 civis – a maioria crianças, mulheres e idosos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza –, 875 feridos e 35 detenções arbitrárias em incursões e rusgas para além da chamada linha amarela.
A linha amarela é a demarcação imaginária para a qual as tropas israelitas recuaram, embora ainda dentro de Gaza, quando o cessar-fogo entrou em vigor. Entre essa linha e as fronteiras de Gaza com Israel e com o Egito, todo o perímetro, mais de 50% do enclave, está sob controlo militar israelita.
O novo balanço das autoridades do enclave sobre as violações ao cessar-fogo inclui 142 tiroteios contra civis, habitações, bairros residenciais e tendas de deslocados, 21 incursões de veículos em zonas residenciais e agrícolas, cruzando a linha amarela, 228 bombardeamentos terrestres, aéreos e de artilharia e 100 demolições de habitações e infraestruturas civis.
Nas últimas horas, o Hamas acusou Israel de violar a trégua “com falsos pretextos” e apelou aos mediadores (Estados Unidos, Egito e Qatar) para “intervirem urgentemente e pressionar para que estas violações cessem de imediato”.
“Responsabilizamos totalmente a ocupação [israelita] por todas as repercussões humanitárias e de segurança decorrentes destas violações e afirmamos que a sua agressão contínua irá minar qualquer esforço internacional para manter a calma”, acrescenta o comunicado do Governo do Hamas.
Uma delegação do Hamas esteve no Cairo este domingo para se reunir com mediadores da guerra em Gaza, revelaram uma fonte de segurança egípcia e uma fonte do Hamas, enquanto Israel e o grupo militante palestiniano continuam a trocar acusações de violações do cessar-fogo.
Exército israelita matou comandante do Hamas O exército israelita afirmou este domingo ter morto um comandante local do Hamas em Gaza.
A publicação identificou o comandante como Alaa Al-Hadidi, chefe de abastecimentos no quartel-general de produção do Hamas. Segundo a publicação, foi morto num dos ataques realizados na Faixa de Gaza no sábado.
Por seu lado, o gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou no sábado ter lançado os mais recentes ataques, depois de um alegado combatente do Hamas ter cruzado a linha amarela e atacado soldados israelitas.
“Em resposta, Israel eliminou cinco combatentes de alto escalão do Hamas”, garantiu o gabinete de Netanyahu.
Desde o início da ofensiva militar israelita, desencadeada após os ataques do Hamas a 7 de outubro de 2023, morreram 69.733 habitantes de Gaza, entre eles mais de 20 mil crianças, devido ao fogo israelita, e 170.863 ficaram feridos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
c/ agências