CDC / NIAID

Imagem de microscopia eletrónica de transmissão de um virião da gripe aviária em forma de bastonete
Um residente do estado de Washington morreu depois de contrair uma estirpe rara de gripe das aves, até aqui apenas detetada em animais, anunciaram as autoridades de saúde estaduais. É a segunda morte humana associada ao vírus nos Estados Unidos este ano, a primeira causada pela estirpe H5N5.
A primeira pessoa de que há registo infetada com a estirpe H5N5 de gripe aviária morreu na sexta-feira, confirmou o Departamento de Saúde do Estado de Washington (WSDH), nos Estados Unidos.
O doente em causa foi identificado apenas como sendo “um adulto mais velho com problemas de saúde pré-existentes” e estava internado numa unidade hospitala desde o início deste mês, indicou o mesmo departamento em comunicado.
“Por respeito à privacidade da família, não vamos divulgar o nome, o género ou a idade”, lê-se na nota do WSDH.
Depois de contrair o vírus, que nunca antes tinha sido registado em seres humanos, a pessoa ficou internada num hospital do condado de King.
Testes realizados pela Universidade de Washington confirmaram que o doente estava infetado com o vírus H5N5 da gripe aviária, referiu ainda o departamento, classificando o caso como “a primeira infeção registada em todo o mundo com esta variante num ser humano”. O resultado foi confirmado pelos US Centers for Disease Control and Prevention (CDC).
Neste momento, não há razões para suspeitar que o vírus H5N5 seja capaz de se transmitir de pessoa para pessoa. “O risco para a população em geral continua a ser baixo. Nenhuma das outras pessoas envolvidas testou positivo para gripe aviária. Não há qualquer evidência de transmissão deste vírus entre pessoas”, acrescenta a nota do WSDH.
O mesmo se aplica à estirpe H5N1, uma forma altamente patogénica de gripe das aves que esteve na origem dos outros 70 casos de infeção humana registados nos EUA e que, nos últimos dois anos, tem provocado surtos em aves selvagens, aves de capoeira, vacas leiteiras e outros mamíferos.
Segundo a nota do WSDH, o doente tinha “um bando de várias espécies de aves domésticas no quintal” e as autoridades acreditam que essa criação foi a origem da exposição ao vírus.
Os CDC registaram este ano mais de 70 casos humanos de gripe das aves. Uma pessoa morreu na sequência de uma infeção com H5N1 no estado da Louisiana, em janeiro.
A Organização Mundial de Saúde contabilizou, desde 2003, mais de mil casos de gripe das aves em humanos, em 25 países – um número que inclui todas as estirpes conhecidas do vírus.
Segundo um relatório divulgado em maio, o número de casos de gripe das aves em humanos nos EUA caiu bruscamente, sem que haja uma explicação clara, havendo receios de que os cortes governamentais tenham feito diminuir o número de testes de despistagem e estejam a afetar a monitorização da doença.
Os vírus da gripe são identificados por duas proteínas presentes à sua superfície: a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N). Existem 18 subtipos possíveis de H e 11 subtipos possíveis de N, mas a maioria das combinações conhecidas só foi detetada em vírus da gripe aviária, explica o IFLS.
A passagem destes vírus para humanos é rara, embora aconteça, como se tem visto com o H5N1. As pessoas que trabalham com aves selvagens ou domésticas, ou que passam muito tempo em contacto próximo com estes animais, são as que correm maior risco.