A Diocese de Setúbal denunciou esta terça-feira que várias capelas jazigo do cemitério de Alhos Vedros, no concelho da Moita, foram profanadas. “Foi com profunda tristeza e sentimentos de emoção, impotência e verdadeira consternação que recebi a notícia da profanação de sepulturas no cemitério de Alhos Vedros”, lê-se numa nota da diocese assinada pelo cardeal Américo Aguiar e enviada às redações. Ao Observador, o bispo de Setúbal explicou que foram afetadas pelo menos quatro capelas e que alguns dos corpos foram desmembrados.
“As capelas jazigo foram abertas, os caixões foram colocados fora, foram destruídos, os corpos profanados. Agora, motivações, razões ninguém consegue imaginar. Maldade, droga, roubo, ritual … Não faço ideia, nunca tal vi nem ouvi relatos”, disse o cardeal.
Américo Aguiar adiantou que foi alertado sobre a situação pelo pároco de Alhos Vedros, que também comunicou o caso à Câmara Municipal da Moita. O cardeal deslocou-se então ao cemitério, onde já tinha estado no início de novembro para uma celebração do dia dos Fiéis Defuntos.
Segundo o bispo de Setúbal, também estiveram no local o presidente da Câmara da Moita, o presidente da Junta de Alhos Vedros, bem como a GNR, bombeiros e técnicos do Instituto de Medicina Legal.
“Nem em filmes de terror vi alguma vez tal coisa. É inimaginável”, afirmou o cardeal, que na nota enviada às redações dirigiu “uma palavra de proximidade, respeito e compaixão” às famílias afetadas. “Partilhamos convosco a indignação e o sofrimento. Elevamos convosco a nossa oração, pedindo ao Senhor que vos conceda consolação e força. Neste momento difícil, convido toda a Diocese a unir-se numa intensa oração com as famílias e pelas famílias e numa oração, pelos seus entes queridos ultrajados por este gesto sacrílego”, sublinhou.