Operação Marquês

A juíza Susana Seca recusou o pedido do novo advogado de José Sócrates. José Preto pedia mais de cinco meses para analisar o processo.

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Como a SIC avançou, esta quarta-feira, a nova defesa de José Sócrates pediu cinco meses e meio para consultar o processo. O antigo primeiro-ministro é, a partir de agora, representado pelo advogado José Preto. Mas a nova defesa do antigo primeiro-mnistro já levou uma nega.

A juíza Susana Seca não só recusou o pedido como deu apenas 10 dias ao advogado para ler o processo e explicou o porquê.

“O prazo para exame dos autos, atenta a natureza urgente, a complexidade e dimensão do processo e o facto de o julgamento se encontrar em curso, é de 10 dias a contar da notificação do presente despacho, uma vez que o processo se encontra disponível para consulta (…), indeferindo-se o prazo requerido (cinco meses e meio), que não se compagina com os princípios de continuidade da audiência de julgamento, da celeridade processual, nem com o direito das defesas a um julgamento com decisão num prazo razoável”

Recorde-se que os crimes de corrupção imputados a José Sócrates e a outros três arguidos, pelo financiamento da Caixa Geral de Depósitos (CGD) a Vale do Lobo, poderão prescrever no primeiro semestre de 2026.

O alerta foi dado pelo próprio tribunal. Num despacho emitido há duas semanas, quando suspendeu até pelo menos 4 de dezembro o julgamento da Operação Marquês para que José Sócrates pudesse nomear um novo advogado, a presidente do coletivo de juízes, Susana Seca, alertou que há o “risco de prescrição de crimes a breve trecho”.

Via Conselho Superior da Magistratura, o tribunal esclarecu que “os crimes cuja prescrição poderá ocorrer durante o primeiro semestre de 2026 são os de corrupção ativa e passiva associados” ao capítulo da acusação sobre o grupo Vale do Lobo e os financiamentos concedidos pela CGD.

Quem é o novo advogado de Sócrates?

A SIC confirmou que José Preto foi o novo nome escolhido para representar José Sócrates em tribunal. O advogado é conhecido por já ter defendido outras personalidades envolvidas em casos de Justiça mediáticos, como o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho.

José Sócrates era, até esta altura, representado por José Ramos, um advogado oficioso – que o antigo primeiro-ministro rejeitou -, depois de o seu anterior advogado, Pedro Delille, ter renunciado.

Delille, que representava o antigo primeiro-ministro há vários anos na Operação Marquês, alegou renunciar por “razões ideológicas”, dizendo que recusava participar naquilo a que chamou um “simulacro de julgamento”, após divergências com a juíza Susana Seca.