Militares da Guiné-Bissau anunciaram que assumiram o “controlo total do país”, esta quarta-feira, e que “suspenderam o processo eleitoral”. As fronteiras do país terão sido, também, fechadas, numa altura em que se aguardava pelos resultados das eleições presidenciais e legislativas do último de domingo.
O anúncio foi feito pelos militares guineenses na sede do Estado-Maior das Forças Armadas, na capital Bissau, segundo a agência France-Presse.
O presidente Umaro Sissoco Embaló terá sido detido quando se encontrava no palácio presidencial, e há relatos de tiros de armas ligeiras e de guerra no centro da capital Bissau, segundo a imprensa local. O próprio chefe de Estado disse à revista Jeune Afrique que foi detido perto das 12 horas, hora local, sem recurso a violência.
O candidato da oposição Fernando Dias, que declarou vitória nas eleições e que enfrentou Umaro Sissoco Embalô nas urnas, e o o antigo primeiro-ministro Domingos Simões Pereira também terão sido detidos e levados para uma base aérea, avançou a RFI.
Governo português apela à não-violência
O Governo português já se pronunciou sobre a situação na Guiné-Bissau, tendo o Ministério dos Negócios Estrangeiros apelado a que “todos os envolvidos se abstenham de qualquer ato de violência institucional ou cívica e que se retome a regularidade do funcionamento das instituições, de modo que se possa finalizar o processo de apuramento e proclamação dos resultados eleitorais”.
O Ministério indicou, ainda, que está em contacto permanente com a embaixada portuguesa em Bissau “para se assegurar da situação dos cidadãos portugueses e, bem assim, da posição em geral”.
CPLP pede respeito pela vontade dos eleitores
Os guineenses foram às urnas no domingo, dia 23 de novembro, e as missões de observação eleitoral da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da União Africana (UA) pediram respeito pela vontade dos eleitores, bem como pelos princípios democráticos, num balanço preliminar das eleições.
De acordo com as missões de observadores internacionais que acompanharam o processo e a votação dos guineenses, o processo eleitoral decorreu de forma “ordeira e organizada”. Os eleitores votaram para eleger o novo presidente da República e os deputados da Assembleia Nacional Popular.
O chefe da missão em Bissau, Luís Diogo de Carvalho, referiu que a CPLP “elogia o povo da Guiné-Bissau pela forma pacífica e ordeira como exerceu o direito de voto”, de acordo com uma declaração preliminar a que a Lusa teve acesso.