Numa operação de grande complexidade, dezenas de drones e mísseis ucranianos atingiram durante a noite de segunda para terça-feira múltiplos alvos a centenas de quilómetros de distância, incluindo um aeródromo militar russo, uma fábrica de reparações de bombardeiros, uma unidade de drones kamikaze, sistemas de defesa aérea e duas refinarias de petróleo, anunciou esta terça-feira o Estado-Maior ucraniano.
Os ataques de longo alcance envolveram drones a jato Bars, mísseis de cruzeiro Neptune e drones a hélice não identificados, atingindo instalações nas cidades portuárias de Taganrog, no Mar de Azov, e Novorossiysk e Tuapse, no Mar Negro. Segundo fontes locais e imagens analisadas pelo ‘Kyiv Post’, em Taganrog, a fábrica de aeronaves Beriev TANTK e a unidade de reparações de bombardeiros Tu-95MS (conhecido na NATO como “Urso”) sofreram danos significativos, com explosões e incêndios de grandes proporções.
O ataque atingiu também um avião de vigilância aérea A-60 AEW&C estacionado na extremidade da pista, provocando a detonação do combustível a bordo e um incêndio que deverá ter destruído a aeronave. A plataforma de vigilância A-60, uma versão modernizada do A-50 soviético, é utilizada diariamente pela Força Aérea Russa para monitorização e comando de operações de combate.
Impacto e resposta local
As autoridades regionais russas reportaram que detritos de drones atingiram outras instalações e três civis morreram, com pelo menos dez feridos, enquanto moradores receberam garantias de que os danos eram controláveis. Vídeos e imagens de redes sociais mostraram incêndios intensos nas instalações militares, confirmados posteriormente por monitorização de satélite da NASA.
Em Novorossiysk, um segundo pacote de ataques atingiu o terminal petrolífero de Sheskharis, enquanto um terceiro ataque com mísseis disparados por drones danificou a refinaria de Tuapse. A cidade de Novorossiysk, base da Frota do Mar Negro desde 2023, estava protegida por densas defesas aéreas, incluindo sistemas Pantsir, S-300 e S-400, alvo específico das ações ucranianas.
O comando militar regional de Rostov declarou estado de emergência em Taganrog, contrariando inicialmente relatos russos que minimizavam os danos. A Ucrânia confirmou que os ataques foram conduzidos pelo 14º Regimento de Operações Especiais e pela 414ª Brigada das Forças de Ataque Não Tripuladas, com imagens divulgadas a mostrar drones a sobrevoar a refinaria de Tuapse.
Estratégia ucraniana
Os ataques refletem a estratégia de neutralizar sistemas de defesa aérea russos dias ou horas antes de lançar ataques de precisão contra alvos de alto valor. A Ucrânia tem intensificado a utilização de drones e mísseis de longo alcance para desorganizar a rede de defesa russa no Mar Negro e Mar de Azov, visando infraestruturas militares e logísticas.
Segundo o major Robert Brovdi, comandante das Forças de Ataque Não Tripuladas da Ucrânia, “esta foi uma visita de cortesia”, aludindo ao impacto direto sobre as reservas de combustível e capacidade operacional russa. A avaliação completa dos danos ainda decorre, mas os ataques demonstram a capacidade de Kiev de atingir simultaneamente múltiplos alvos estratégicos em território russo.