Primeiro filme de Maureen Fazendeiro a solo, após ter assinado a meias Os Diários de Otsoga (2021) com Miguel Gomes, As Estações é um documentário dedicado ao Alentejo, plácido e poético, impressionista e sem narração, em que a realizadora filma a natureza, os animais, a meteorologia e algum trabalho rural, recria um par de histórias populares locais (uma delas envolvendo uma clássica moura encantada), ouve as pessoas cantar e contar coisas do passado e recorda um casal de arqueólogos alemães que estiveram em terras alentejanas no decorrer da II Guerra Mundial e fizeram um importante achado relacionado com vestígios pré-históricos, enquanto recebiam notícias por carta dos bombardeamentos dos Aliados no seu país. Estações é bonito, delicado e sereno, mas também insubstancial e vaporoso demais para alguns gostos.

O primeiro Zootrópolis (2016), passado numa cidade totalmente habitada por animais antropomorfizados, foi um colossal sucesso popular e de bilheteira para a Disney, tendo ganho o Óscar de Melhor Longa-Metragem Animada em 2017. Quase 10 anos depois, e a atravessarem uma das maiores crises criativas e de receitas em termos de animação de toda a sua existência, os Estúdios Disney procuram repetir o êxito do filme original com esta continuação apontada à quadra natalícia, em que reencontramos a coelha Bunny Hops e o raposo Nick Wilde, os heróis de Zootrópolis, agora parceiros na força policial da cidade e a investigarem o caso de uma misteriosa serpente que ali apareceu. E que os levará a descobrir novos animais, bem como zonas da grande metrópole cuja existência desconheciam.

Estreia na realização do ator inglês Harris Dickinson (Triângulo da Tristeza, Babygirl),  Urchin-Pelas Ruas de Londres, tem como protagonista Mike (Frank Dillane), um jovem sem-abrigo e consumidor de droga, que poderia, e tirando o apego aos estupefacientes, ser uma personagem de um romance de Charles Dickens, de tal forma anda ao Deus-dará pelas ruas da capital inglesa, vivendo da caridade alheia, de dinheiro cravado a outros que estão pouco melhor do que ele ou do produto de pequenos furtos. Há algo nele de autodestruidor que o parece levar, inevitavelmente, a desesperar de si mesmo e a reincidir nos mesmos erros, sempre que sai da cadeia, larga a droga e pretende enveredar pelo bom caminho. Urchin — Pelas Ruas de Londres foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.