João Neves. Nos últimos dias, tem sido este o nome mais repetido no seio do PSG. Na capital francesa, o jovem médio conquistou o seu espaço rapidamente e transformou-se num dos melhores jogadores do mundo. Pelo meio tornou-se num dos jogadores mais adorados pelos adeptos do emblema campeão da Europa. E não tem feito por menos. Na receção ao Le Havre (3-0), o internacional português apontou o segundo golo, já depois de Nuno Mendes ter regressado de lesão com uma assistência para Lee Kang-in, e deu seguimento a uma veia goleadora pouco vista. Afinal, este foi o seu sexto golo nos últimos cinco jogos, chegando à Liga dos Campeões com o notável registo de melhor marcador do PSG em 2025/26, que se traduziram em três partidas internas seguidas a faturar.

Enquanto não chegam os outros sonhos, o legado deles continua a ser fazer história (a crónica da Supertaça Europeia)

Perante tudo isto, a lista de clubes interessados em João Neves começa a aumentar e, nos últimos dias, o Fichajes colocou o português na rota do Liverpool, que estará disposto a chegar aos 160 milhões de euros pelo seu passe nas próximas janelas de transferências. Enquanto isso não se sucede (se é que se vai suceder), o PSG voltou a apontar as armas para a Champions, tendo reencontrado o Tottenham esta quarta-feira no Parque dos Príncipes, depois de ter conquistado, frente aos ingleses, a Supertaça Europeia no arranque da época (2-2, 4-3 g.p.). Antes deste jogo, os rouge et bleu sofreram a primeira derrota internacional contra o Bayern Munique (casa, 1-2). Por outro lado, os spurs vinham de uma goleada sofrida em casa do rival Arsenal (1-4).

“O Tottenham começou muito bem a temporada e ainda não perdeu na Liga dos Campeões. A maioria dos seus jogadores são internacionais. É uma equipe forte. Supertaça Europeia? Foi o primeiro jogo da temporada. O de quarta-feira será diferente. É uma boa lembrança porque terminou bem, mas uma má lembrança se pensar nos primeiros 60 minutos, em que tivemos dificuldades. Estamos mais preparados para sermos uma equipa dominante e para vencer o jogo. O nosso objetivo é sempre o mesmo: ser dominantes. Será difícil, mas jogamos em casa e esperamos fazer um grande jogo diante dos nossos adeptos. É mais fácil treinar. Não é preciso falar muito porque sentimos que é um jogo diferente e uma competição diferente para nós. É a nossa competição, somos os campeões em título e queremos continuar no nosso caminho”, perspetivou Luis Enrique.

“Acho que o desempenho é sempre o mais importante, porque se o fizermos de forma consistente, temos mais hipóteses de obter resultados. Assisti ao jogo [contra o Arsenal] novamente e foi difícil de ver. Não estivemos bem. Foi um mau desempenho, não há como fugir disso. O mais importante foi que havia muita intenção e sabíamos o que queríamos fazer, mas simplesmente não conseguimos executar naquele dia. Amanhã [quarta-feira] enfrentamos outra das melhores equipas da Europa fora de casa. É um bom desafio que aceitamos a 100% e estou convencido de que vamos recuperar com um bom desempenho. PSG? Eles são muito, muito bons. Ofensivamente, eles são muito ameaçadores, tanto nas jogadas por trás, no ritmo, na capacidade de um contra um, nos remates de fora da área, com os três médios que, como sabem, são incríveis com bola e super agressivos na pressão”, assumiu Thomas Frank.

Para este desafio, Enrique lançou de início Nuno Mendes, Vitinha e João Neves, ao passo que Gonçalo Ramos começou no banco, juntamente com o regressado Ousmane Dembélé, já que o “menino” Quentin Ndjantou foi titular na frente de ataque. Ainda assim, o grande destaque do onze do PSG foi Marquinhos, que completou, frente ao Tottenham, o seu 500.º jogo com a camisola francesa, que vestiu pela primeira vez em 2013, com apenas 19 anos. Já Frank deixou João Palhinha no banco, lançando a sua equipa num 5x3x2 bastante defensivo, com Richarlison e Randal Kolo Muani, que está emprestado pelo campeão europeu, no ataque.

Num jogo que começou de sentido único, mas que mostrou uma equipa inglesa bem mais tranquila que a francesa, as primeiras oportunidades até pertenceram aos parisienses, que, logo a abrir, viram Fabián Ruiz desferir um remate forte que saiu perto da baliza (7′). Seguiu-se uma tentativa de Khvicha Kvaratskhelia que, com um remate em arco, quase levantou o estádio (18′). Já na parte final do primeiro tempo, Lucas Bergvall tocou de calcanhar para Archie Gray na esquerda, o defesa ganhou espaço e cruzou para o segundo poste, onde Kolo Muani apareceu a servir Richarlison para o golo inaugural (35′). Pouco depois, Ndjantou encontrou Vitinha solto de marcação à entrada da área, com o português a atirar de primeira para um golaço, com a bola a desviar na trave antes de entrar na baliza (45′).

A abrir a segunda parte, já com Lucas Hernández no lugar de Nuno Mendes, os spurs beneficiaram de um canto na esquerda, Richarlison ganhou de cabeça ao segundo poste e Gray finalizou para um grande corte de Willian Pacho em cima da linha de golo. Contudo, a bola sobrou para o remate forte de Kolo Muani, com Marquinhos a não conseguir evitar o segundo golo inglês (50′). A reação do PSG foi imediata, com Kvaratskhelia a combinar com Lucas na esquerda e a entregar em Vitinha à entrada da área, o português recebeu, conduziu para a área e, com um remate colocado de pé esquerdo, voltou a empatar (53′). A seguir ao golo, Lee Kang-in rendeu Bradley Barcola no ataque e, num lance em que o Tottenham não conseguiu lidar com a pressão alta do PSG, Neves isolou Ruiz com um toque de calcanhar e o espanhol completou a reviravolta (59′).

O jogo começou a ganhar contornos de estar resolvido praticamente logo a seguir, com o PSG a beneficiar de um canto da esquerda e, depois de João Neves falhar o desvio, Pacho aparecer a completar para o 4-2 (65′). No ataque seguinte, Lee desferiu um remate colocado de meia-distância para defesa difícil de Guglielmo Vicario (67′). Pouco depois, Vitinha falhou um passe e coloco em Kolo Muani que, depois de passar por Pacho e Hernández, atirou cruzado para o fundo da baliza (73′). Com o jogo reaberto, os parisienses voltaram a desequilibrar pelos flancos, com Vitinha a finalizar à entrada da área para um corte de Cristian Romero com o braço. Assinalado o penálti, já com João Palhinha em campo, o médio português assumiu a conversão e completou o hat-trick, enganando Vicario (76′). Para os últimos minutos, Gonçalo Ramos também saiu do banco e, nos descontos, viu o companheiro Lucas Hernández ser expulso por dar uma cotovelada a Xavi Simons (90+3′). Ainda houve tempo para Vitinha sair por troca com Illia Zabarnyi e ser aplaudido de pé, mas o resultado não sofreu mais alterações. Com esta vitória, o PSG chegou aos 12 pontos e juntou-se a Bayern Munique e Real Madrid no terceiro lugar (5-3).