Embora hoje seja oficialmente Black Friday, muitos descontos prolongam-se pelo fim-de-semana e, no caso da tecnologia, é provável que surjam promoções adicionais na próxima segunda-feira, a Cyber Monday. Os televisores estão entre os produtos mais procurados nesta altura, mas a enorme variedade de tecnologias — do sistema operativo ao tipo de painel — pode tornar a decisão surpreendentemente complexa. Se não fizer um mínimo de “trabalho de casa”, corre mesmo o risco de fazer uma má compra, até porque algumas siglas soam semelhantes mas oferecem resultados muito distintos.

Explicamos, por isso, os critérios fundamentais para escolher o televisor mais adequado ao seu uso e espaço disponível.

A batalha da luz: LCD, LED e as suas evoluções

Para começar, vale a pena dividir o mercado em duas grandes famílias: os ecrãs que precisam de luz de fundo e os que produzem a própria luz. A esmagadora maioria dos televisores pertence ao primeiro grupo, liderado pela tecnologia LCD. Quando a caixa indica apenas LED, significa que o painel LCD é iluminado por díodos colocados na traseira ou nas laterais. É a opção mais económica, mas tem limitações evidentes: a retroiluminação nunca se apaga totalmente e os pretos acabam frequentemente por parecer cinzentos escuros, reduzindo o contraste.

É aqui que surgem as siglas QLED (Samsung, TCL) e NanoCell ou QNED (LG). Apesar do discurso comercial sugerir uma revolução, continuam a ser televisores LCD com retroiluminação LED. A diferença está na inclusão de uma película de nanopartículas — os chamados quantum dots — que filtram a luz e permitem cores mais vivas e um brilho significativamente superior. Para salas muito iluminadas ou com várias janelas, esta é frequentemente a solução mais eficaz, precisamente porque o brilho extra ajuda a combater os reflexos.

O salto para o Mini-LED

Dentro dos ecrãs retro-iluminados, a evolução mais recente é o Mini-LED. Não representa uma nova tecnologia de imagem, mas uma forma muito mais precisa de iluminar o painel. Ao recorrer a díodos muito menores, os fabricantes conseguem distribuir milhares deles pela traseira, organizados em centenas de zonas de controlo. Isto permite apagar quase totalmente a luz em áreas escuras enquanto se mantém um brilho intenso em zonas adjacentes. O resultado é um contraste muito mais elevado e um maior controlo sobre o efeito de “auréola” em cenas escuras com objectos muito luminosos.

Cada píxel é um píxel: OLED e QD-OLED

No topo da qualidade de imagem está o OLED. Aqui não existe retroiluminação: cada píxel emite a sua própria luz. Quando a imagem exige preto absoluto, o píxel desliga-se por completo. Este comportamento proporciona um contraste considerado “infinito” e uma profundidade de imagem difícil de igualar. Para quem vê filmes ou séries num ambiente controlado, esta continua a ser a melhor escolha.

A isto junta-se agora o QD-OLED, uma evolução que combina painéis OLED com quantum dots. Esta tecnologia, presente em modelos de topo da Samsung e da Sony, resolve a principal fragilidade do OLED tradicional: o brilho máximo. Os ecrãs QD-OLED atingem níveis de luminosidade mais elevados sem sacrificar os pretos perfeitos, além de exibirem cores ainda mais ricas.




A Sony Bravia 8 II demonstra bem as vantagens da tecnologia QD-OLED
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Importa ainda desfazer uma confusão frequente: Micro-LED não é Mini-LED. O Micro-LED é uma tecnologia auto-emissiva, semelhante ao OLED, mas baseada em díodos inorgânicos microscópicos. Oferece um potencial enorme, sem riscos de degradação, mas permanece reservada a ecrãs gigantes e a preços incomportáveis para o consumidor comum.

Fluidez e ligações

Para lá da qualidade das cores e do contraste, há um elemento decisivo que passa muitas vezes despercebido: a taxa de actualização. A maioria dos televisores básicos funciona a 60 Hz (60 imagens por segundo), suficiente para noticiários ou novelas. Mas para desporto, cinema de acção ou consolas da nova geração (PlayStation 5 ou Xbox Series X), um painel de 120 Hz ou 144 Hz faz toda a diferença, garantindo movimentos mais suaves e maior nitidez.

Para tirar total partido destas consolas, não basta um painel rápido: é essencial verificar a presença de portas HDMI 2.1. Ao contrário das HDMI 2.0, permitem transmitir sinal 4K a 120 imagens por segundo e suportam tecnologias como o VRR (taxa de actualização variável), que elimina quebras e soluços na imagem.

A matemática dos píxeis e o tamanho certo

Quando o assunto é definição, a tentação é pensar que mais píxeis significam sempre melhor imagem. Nem sempre é assim. No televisor principal, o 4K — ou UHD — garante excelente nitidez e é amplamente suportado por serviços de streaming como Netflix ou HBO. É hoje o padrão recomendado para ecrãs entre 55 e 65 polegadas, os tamanhos mais procurados para as salas portuguesas.


Já o 8K, apesar do quadruplo de píxeis face ao 4K, continua a não justificar o investimento para a maioria dos consumidores. A oferta de conteúdos é escassa, e a distância típica entre sofá e ecrã impede que os ganhos visuais sejam realmente perceptíveis.

O raciocínio altera-se quando falamos de um segundo televisor, por exemplo para um quarto. Em ecrãs pequenos, na casa das 40 polegadas, a diferença entre 1080p (Fulll HD) e 4K é praticamente imperceptível. Um modelo Full HD é mais do que suficiente — e pagar por resolução extra que não se nota é um desperdício de dinheiro.




O televisor da esquerda utiliza a tecnologia Mini-LED, com retro-iluminação por zonas. O televisor da direita utiliza um painel OLED, em que cada píxel cria a sua própria luz. Como se pode ver, o OLED permite um contraste maior, especialmente visível nas zonas mais escuras da imagem
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Como regra de ouro, o tamanho certo depende da imersão. Na grande maioria das salas, um televisor de 55 ou 65 polegadas é perfeitamente adequado, e a sensação de “ser demasiado grande” desaparece ao fim de dois dias. Pelo contrário, num quarto, um ecrã demasiado grande torna-se desconfortável: na maioria dos casos, 40 polegadas chegam bem.

O cérebro da televisão

A experiência de utilização diária depende do sistema operativo. Cada marca aposta no seu próprio ecossistema: a LG utiliza o WebOS, com interface fluida e um comando que funciona como rato no ecrã; a Samsung adopta o Tizen, muito completo e integrado com soluções de casa inteligente; enquanto marcas como Sony, Philips ou TCL preferem o Google TV.

Os três sistemas operativos mencionados dão acesso aos serviços de streaming mais populares e a outras aplicações populares, como o YouTube ou mesmo algumas aplicações das estações de televisão nacionais. Mas o Google TV vai mais longe. Dá acesso à maior biblioteca de aplicações, incluindo serviços de streaming menos conhecidos, e oferece uma integração natural com smartphones Android e o ecossistema digital da Google, como o assistente de IA Gemini.