// Heritage Auctions / Action Comics / DC Comics / Pixabay

Um exemplar de 1939 de “Superman n.º 1” acaba de se tornar a banda desenhada mais cara de sempre. Foi vendido em leilão por 9,1 milhões de dólares, destronando… outro “Superman n.º 1”.
Um belo dia, três irmãos decidiram que era finalmente altura de fazer uma limpeza ao sótão da falecida mão. Em boa altura o fizeram.
Quando a mãe tinha 9 anos, ela e o irmão adolescente juntaram dinheiro para comprar um “Superman n.º 1”, que custava na altura 10 cêntimos. Quando morreu, há alguns anos, já se esquecera de onde o tinha guardado.
No ano passado, três irmãos começaram a esvaziar a casa da mãe, então recentemente falecida, em São Francisco.
Ao longo da vida, ela tinha-lhes falado de uma coleção de revistas de BD raras. Mas não sabia onde estava, e os filhos nunca a tinham visto, por isso nem sequer tinham a certeza de que existia mesmo, conta o Hollywood Reporter.
“Não foi nada do género vamos lá procurar aquela revista”, conta o irmão mais novo, de 57 anos. Tinham esperado vários anos depois da morte da mãe para esvaziar a casa. “Era mais, vamos buscar o contentor e esvaziar isto tudo”.
Quando chegaram ao sótão, porém, encontraram um molho de revistas de banda desenhada dentro de uma caixa com jornais velhos. E a expressão “rara” que a mãe tinha usado revelou-se um eufemismo.
A mãe tinha um exemplar quase impecável de Superman No. 1, de 1939, o primeiro número da revista a solo do Homem de Aço, que a família vendeu agora em leilão, 9,12 milhões de dólares, cerca de 7,8 milhões de euros — um valor que faz deste o exemplar de banda desenhada mais caro alguma vez leiloado.
Este exemplar destronou um outro Superman No. 1, de 1938, que em abril do ano passado foi vendido por 6 milhões de dólares.
A banda desenhada de 1938 era uma versão não restaurada da Action Comics No. 1, que recebeu uma classificação “muito boa” de 8,5 em 10 pela CGC, o serviço de classificação para colecionáveis da cultura pop. A BD encontrada pelos três irmãos recebeu uma classificação de 9.0.
// Heritage Auctions

A BD encontrada pelos três irmãos recebeu uma classificação de 9.0 em 10 da CGC. A que foi vendida há um ano por 6 milhões de dólares tinha uma classificação de 8.5
Uns meses depois de terem encontrado a banda desenhada, os três irmãos, que optaram por permanecer anónimos, contactaram a Heritage Auctions. O vice-presidente da casa de leilões sediada em Dallas, Lon Allen, viajou então até ao norte da Califórnia para examinar a descoberta.
Segundo um comunicado divulgado em outubro pela Heritage Auctions, a coleção encontrada no sótão incluía cinco números antigos de Action Comics, série publicada pela National Allied Publications.
Para a mãe e para o tio, aquelas revistas “tornaram-se um refúgio precioso”, conta o irmão mais novo. As duas crianças viviam num pequeno apartamento, com pouco dinheiro, “mas tinham-se uma à outra e um amor partilhado pela BD”.
Anos mais tarde, a mãe e o tio decidiram passar a coleção aos sobrinhos, até porque o tio não tinha filhos. Ela escondeu a caixa com as revistas no sótão para a manter em segurança e, com o tempo, acabou por se esquecer de que lá estava.
“Estava simplesmente num sótão, dentro de uma caixa”, contou Allen à Associated Press. “Podia ter sido deitado fora com toda a facilidade, podia ter sido destruído de mil maneiras diferentes”.
Superman No. 1, publicado depois de a National Allied Publications se ter transformado em Detective Comics, Inc., que viria mais tarde a ser a DC Comics, conta a história de origem de Clark Kent, o bebé enviado de urgência para a Terra a partir do condenado planeta Krypton.
Na revista, Kent cresce e torna-se repórter numa grande cidade, usando os seus poderes sobre-humanos para combater o crime e a injustiça como Superman. Mas já todos sabemos essa história…
O clima fresco e húmido de São Francisco poderá ter ajudado a conservar o livro. “Se tivesse estado num sótão aqui no Texas, teria ficado arruinado”, diz Allen no comunicado de outubro.
Apesar de ter batido o recorde de BD mais cara de sempre, este exemplar de Superman No. 1 “é mais do que apenas uma revista de banda desenhada”, sublinha o irmão mais novo . “É um testemunho da memória, da família e das formas inesperadas como o passado volta a encontrar-nos”.