A surpreendente captura feita em Acacia Ridge, subúrbio de Brisbane, colocou novamente os “duendes vermelhos” no centro das discussões científicas.
O fotógrafo Tony Surma-Hawes conseguiu registrar o fenômeno luminoso enquanto acompanhava uma tempestade intensa, algo tão improvável que o próprio autor descreveu como um alinhamento perfeito de sorte, técnica e timing.
Sua imagem mostra um red sprite surgindo por apenas milésimos de segundo acima das nuvens, colorindo o céu com um brilho avermelhado que mais parece saído de um filme de ficção científica.
Como Tony conseguiu capturar o instante perfeito
O fotógrafo relatou que estava usando o modo Live Photo, que registra 15 frames por segundo. Isso foi fundamental, sprites duram cerca de 10 milissegundos, ou seja, são praticamente invisíveis ao olho humano.
Tony enfatiza que qualquer reação mais rápida ou mais lenta teria perdido o momento. Ele só percebeu o clarão quando revisou o vídeo, o que reforça o quão efêmero e misterioso é esse fenômeno atmosférico.
O que exatamente são os “duendes vermelhos”?
Os sprites, oficialmente chamados de Eventos Luminosos Transitórios (TLEs), são descargas elétricas que acontecem muito acima das nuvens de tempestade, chegando à mesosfera, a quase 80 km de altitude.
Embora pilotos já relatassem o fenômeno há décadas, sua primeira imagem confirmada surgiu apenas em 1989, mostrando como a ciência ainda tem lacunas quando se trata de fenômenos atmosféricos de alta altitude.
A combinação de altura, cor intensa e formato imprevisível dá aos sprites uma aparência quase alienígena. A cor vermelha surge quando a descarga elétrica interage com o nitrogênio atmosférico, produzindo filamentos luminosos que se espalham rapidamente.
De terra firme, eles raramente podem ser observados, o que torna cada registro um acontecimento de valor científico e visual extraordinário.
A contribuição da NASA e o papel da ciência cidadã
Para entender melhor o fenômeno, a NASA criou o programa Spritacular, que coleta imagens enviadas por observadores ao redor do mundo. Essas contribuições ajudam pesquisadores a identificar padrões, alturas, velocidades e formas de sprites, ampliando o conhecimento sobre essas descargas misteriosas.
Além disso, astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS) têm papel essencial: suas câmeras conseguem observar sprites de cima para baixo, um ponto de vista impossível na Terra. Registros de Matthew Dominick, Andreas Mogensen e Nichole Ayers se tornaram referência para estudos recentes.
As imagens mais impressionantes feitas do espaço
Entre as capturas mais celebradas está a fotografia feita por Nichole Ayers, em julho de 2025, mostrando um red sprite espalhando-se sobre o México e os Estados Unidos. A imagem se tornou emblemática pela clareza e pelo tamanho do fenômeno.
Outro destaque é o astronauta Don Pettit, conhecido por suas observações detalhadas da atmosfera terrestre. Aos 70 anos, o mais velho astronauta em atividade da NASA registrou sprites azuis sobre a Amazônia, oferecendo um contraste raro com as versões vermelhas mais conhecidas.