A Ryanair vai acabar com o programa de fidelização Prime, depois de apenas oito meses de experiência. O anúncio foi feito nesta sexta-feira, dia a partir do qual já não é possível subscrever o serviço que prometia “tarifas únicas”, informou a companhia aérea, reconhecendo que “o período experimental custou mais dinheiro do que gerou”. Contudo, os 55 mil membros inscritos ainda vão poder usufruir dos benefícios até Outubro de 2026, promete o comunicado.
O programa, anunciado em Março deste ano, “gerou mais de 4,4 milhões de euros em taxas de inscrição”, informou o director de marketing da Ryanair, Dara Brady, que também faz contas dos benefícios dados aos passageiros que resultam num prejuízo para a companhia aérea: “Os nossos membros Prime receberam mais de seis milhões de euros em descontos nas tarifas.”
A companhia é transparente no motivo por que decidiu encerrar com efeitos imediatos o programa. “Este nível de adesões, ou receitas de inscrições, não justifica o tempo e o esforço necessários para lançar vendas mensais exclusivas de lugares Prime para os nossos 55.000 membros”, acrescenta Brady.
Contudo, não quer prejudicar quem pagou a assinatura anual de 12 meses, que custava 79 euros. “Eles [os subscritores] podem ter a certeza de que continuarão a desfrutar de descontos exclusivos em voos e lugares durante o restante do seu período de adesão de 12 meses.” Mas agora vão focar-se nos restantes 207 milhões de passageiros que a companhia já transportou neste ano, termina o responsável.
O Prime prometia preços especiais uma vez por mês, além da escolha gratuita de lugares em todos os voos e seguro de viagem. Quando foi anunciado, o programa era vendido como “limitado” e para apenas 250 mil assinaturas no mercado português — a companhia não detalha quantas vendeu efectivamente, já que os 55 mil dizem respeito a números internacionais.
A aposta da Ryanair não era inédita entre as companhias de baixo custo, ainda que, habitualmente, não tenham programas de fidelização e acumulação de milhas como as companhias tradicionais. A Wizz Air apresenta o Discount Club que, por 59,99 euros por ano, promete descontos de dez euros em voos superiores a 29,99€, cinco euros de desconto nas bagagens e cupões especiais a bordo.
Apesar dos cortes, nesta sexta-feira, dia em que se assinala a Black Friday, a Ryanair está a promover descontos: ao comprar um voo, o passageiro pode adquirir outro a metade do preço para viagens entre 1 de Dezembro e 28 de Fevereiro de 2026. Aplica-se a várias cidades de Espanha, como Barcelona, Valência ou Sevilha, mas também ao Reino Unido (Manchester e Londres), Itália (Veneza e Roma), Hungria (Budapeste) e Polónia (Cracóvia), entre outros.
O mês de Novembro tem sido feito de anúncios na Ryanair. Primeiro, deixou de ser possível os passageiros imprimirem os seus cartões de embarque. Doravante, quase tudo acontece na aplicação móvel: tanto a emissão do cartão de embarque, gerado durante o check-in online, que tanto pode ser realizado na app como no site da companhia; o acesso a todos os “documentos de viagem”; assim como a informação relativa a “actualizações em tempo real” sobre o embarque, portas e atrasos, entre outros detalhes.
Pouco depois, anunciou o cancelamento de todos os voos para os Açores, a partir de 29 de Março de 2026, explicando a decisão com as “elevadas taxas aeroportuárias”. O Governo Regional tem reiterado que está “determinado” a que a Ryanair não abandone o arquipélago (voava para São Miguel e Terceira) e, nesta quarta-feira, insistiu que as “vias de diálogo estão abertas” para negociações.