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Novo SUV elétrico Ford Capri
Em caso de acidente, o custo de reparação dos elétricos tende a ser superior — porque “há pouca experiência”, há questões com as baterias, e o acesso às peças não é tão fácil como deveria. E depois, simplesmente, as seguradoras ainda não sabem o suficiente sobre elétricos, e cobram-nos essa falta de informação.
À partida, seria de esperar que um elétrico fosse mais barato de usar do que um carro a combustão. Os custos, no papel, são bastante apelativos: a eletricidade tende a ser mais barata do que a gasolina.há menos peças a necessitar de manutenção regular, e desaparecem preocupações como as mudanças de óleo.
Estes argumentos a favor dos elétricos mantêm-se válidos. A surpresa chega habitualmente mais tarde, quando cai a primeira simulação de seguro — e o valor é superior ao que se pagava por um carro a combustão comparável.
Recentemente, ficámos a saber que os preços dos seguros automóveis vão subir em 2026, por dois motivos: maior número de automóveis em circulação, aliado a custos de reparação em alta. Em parte, segundo dizem as seguradoras, a culpa é dos veículos elétricos.
Mas afinal, por que motivo os custos dos seguros para os veículos elétricos são superiores? Segundo o BGR, as seguradoras olham para vários fatores, incluindo quanto vale o automóvel e quão complexas e caras podem ser as reparações.
A maior parte dos elétricos continuam a ser mais caros do que os equivalentes com motor de combustão, pelo que o potencial montante a indemnizar sobe logo à partida.
Depois, há o lado das oficinas. As peças dos elétricos continuam a ser muito especializadas e o número de oficinas com formação completa para trabalhar estes sistemas ainda é limitado.
Quando um simples “toque” envolve cablagens de alta voltagem, sensores ou a estrutura da bateria, o custo de pôr tudo novamente dentro dos parâmetros de fábrica dispara rapidamente,.
Falta ainda outro elemento nesta equação: o histórico. As seguradoras sabem quanto lhes custam, em média, os carros a combustão porque têm décadas de dados de sinistros em que se apoiar. Mas s veículos elétricos simplesmente não existem há tempo suficiente para oferecer esse nível de previsibilidade.
Quando as companhias não conseguem estimar o risco com confiança, protegem-se com prémios mais elevados. Não é propriamente algo “pessoal” ou uma punição; é sobretudo a falta de informação que acaba por ser incorporada no preço de cada apólice.
Porque reparar um elétrico é mais caro
Os carros elétricos são concebidos em torno de um sistema de baterias, e esse único componente altera a forma como qualquer colisão é abordada.
Se um carro a combustão sofre um embate na frente, a oficina inspeciona a chapa, a estrutura e a suspensão e começa a reparar. Num elétrico, um impacto no sítio “errado” pode fazer pressão sobre o compartimento da bateria. Os técnicos não podem simplesmente ignorar essa possibilidade.
Os mecânicos são assim obrigados a seguir um processo de diagnóstico aprofundado antes de avançar. Se esses testes revelarem qualquer tipo de risco dentro do pack de baterias, a substituição de todo o sistema passa a estar em cima da mesa.
Há ainda muito mais tecnologia avançada concentrada nos elétricos, incluindo centenas de sensores que monitorizam o estado da bateria, os sistemas de condução semiautónoma e a travagem regenerativa, entre outros. Um pequeno toque num parque de estacionamento pode desalinhar um desses sensores — e voltar a calibrá-lo pode ser um processo demorado.
Só técnicos certificados podem executar grande parte destes trabalhos e a oferta de mão de obra qualificada continua curta. Enquanto o carro está parado à espera de reparação, a cobertura de viatura de substituição também vai somando custos.
As próprias peças de substituição são outro fator a puxar pelos prémios de seguro dos elétricos. Alguns construtores só permitem que determinados componentes sejam instalados em centros autorizados e, no caso da Tesla, até faróis têm de ser fornecidos diretamente pela marca.
Não vai ser caro para sempre
Neste momento, o custo de reparar um veículo elétrico continua a ser mais elevado do que o de um carro a combustão, em parte porque as oficinas ainda estão a aprender a lidar com estes modelos.
Com o tempo, este tipo de intervenção deverá tornar-se rotina, o que ajudará a baixar as faturas. No que toca aos packs de baterias, as gerações mais recentes já permitem aos técnicos aceder a módulos individuais, isolar o problema e reparar apenas a secção afetada.
Esta redução de tempo e de custos deverá influenciar também o que as seguradoras esperam ter que pagar. E, à medida que mais elétricos forem produzidos, as peças tornar-se-ão mais comuns, o que também contribuirá para reduzir as despesas de reparação — e, por arrasto, o preço dos seguros.
Há ainda o capítulo da segurança. Os melhores elétricos no mercado chegam geralmente equipados com as mais recentes tecnologias de travagem automática, assistência à faixa de rodagem e sistemas de condução semiautónoma, todos pensados para reduzir o número de acidentes graves.
Com o tempo, as seguradoras deverão começar a confiar mais nesses resultados. Assim, quanto mais familiares se tornarem os veículos elétricos para condutores, oficinas e seguradoras, menos deverá custar, no fim de contas, segurá-los.