A maioria das pensões, até cerca de 1.045 euros atualmente (1.074,26 euros em 2026), deverá aumentar 2,8% em janeiro, segundo estimativas do Observador com base nos dados divulgados esta sexta-feira pelo INE.

Para a aferição da atualização das pensões é tido em conta os valores da inflação (anual sem habitação) de novembro e os dois últimos anos de evolução do PIB (terminados no terceiro trimestre). Ambos os valores foram divulgados esta sexta-feira pelo INE, ainda que, no caso da inflação, seja um valor provisório que terá de ser confirmado — o INE aponta a divulgação final desse indicador para 12 de dezembro. Só depois disso publicará o Governo a portaria confirmando os valores a que as pensões serão atualizadas em 2026.

Se as pensões até dois IAS (1.045 euros atualmente, mas que em 2026 subirá para 1.074,26 euros) deverão ter um aumento de 2,8%, as pensões entre dois e seis IAS (entre 1.045 a 3.135 euros neste ano, que em 2026 subirá para um intervalo entre 1.074,26 e 3.222,78 euros) terão uma atualização de 2,27% e acima de seis IAS (3.135 euros este ano e de 3.222,78 euros em 2026) de 2,02%.

Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, indicou no Parlamento essa projeção, contabilizando um custo com a atualização das pensões de 940 milhões de euros — somando os 640 milhões da segurança social e os 300 milhões da Caixa Geral de Aposentações.

Governo insiste na recusa do aumento extra nas pensões. Não exclui suplemento extraordinário depois de dar mais mil milhões a pensionistas

A ministra do Trabalho declarou, também no Parlamento, que 90% dos pensionistas vão recuperar poder de compra. Pelos cálculos do Governo, apenas as pensões acima de 6 IAS (3.100 euros) “é que vão perder poder de compra”.

Ao contrário do que aconteceu em 2025, que o Parlamento, em sede de Orçamento do Estado, conseguiu acrescentar mais 1,25 pontos à atualização das pensões, este ano a proposta do Chega, que pretendia adicionar 1,5 pontos, não foi aprovada. Assim as pensões serão atualizadas conforma a lei determinada. No entanto, e consoante a execução orçamental estiver a decorrer, poderá ser pago um suplemento extraordinário à semelhança do que aconteceu em 2024 e 2025.

Os limites dos escalões dependem do Indexante de Apoios Sociais (IAS) que, por sua vez, também está dependente da inflação e do PIB. Segundo as contas do Observador, o IAS deverá subir 2,8% face aos atuais 522,5 euros, o que significa que chegará a 537,13 euros.

O valor do IAS não conta apenas para as pensões, mas é importante igualmente para os limites do subsídio desemprego, os escalões do abono de família, ou para a elegibilidade do Rendimento Social de Inserção (RSI), entre vários outros apoios.

(Notícia corrigida nas pensões mais baixas e no IAS por causa do arredondamento para 2,8%)