O Papa Leão visitou a Mesquita Azul de Istambul no sábado, 29 de Novembro, tirando os sapatos em sinal de respeito, mas aparentemente sem rezar. Esta foi a primeira visita do novo líder da Igreja Católica a um local de culto muçulmano, durante uma estada de quatro dias na Turquia.

O primeiro Papa norte-americano inclinou-se ligeiramente antes de entrar na mesquita e foi acompanhado numa visita ao vasto complexo, com capacidade para acolher dez mil fiéis, pelo imã e pelo mufti de Istambul.

Leão XIV, de meias brancas, sorriu durante a visita de 20 minutos e brincou com um dos guias, o muezim principal da mesquita, responsável pelas chamadas diárias para a oração.

O Vaticano pareceu surpreendido pelo facto de Leão não ter parado para rezar durante a visita e por não ter sido recebido na mesquita pelo chefe da organização religiosa estatal da Turquia como estava previsto.

Cerca de três horas após a visita, o Vaticano divulgou um comunicado de imprensa a dizer que tanto a oração como a recepção tinham ocorrido, apesar de não terem acontecido. O gabinete de imprensa do Vaticano afirmou que o comunicado tinha sido enviado por engano.

Askin Musa Tunca, o muezim, disse aos jornalistas, após a visita à mesquita, que perguntou a Leão durante o percurso se desejava rezar por um momento, mas o Papa disse que preferia apenas visitar a mesquita.

O Vaticano afirmou num comunicado imediatamente após a visita que Leão realizou o percurso “num espírito de reflexão e escuta, com profundo respeito pelo local e pela fé daqueles que ali se reúnem em oração”.

Embora não parecesse rezar durante a visita, brincou com Tunca. Quando o grupo estava a sair do edifício, o Papa reparou que estava a ser conduzido por uma porta que normalmente serve de entrada, onde um letreiro diz: “Sem saída”.

“Diz que não há saída”, disse Leão XIV, sorrindo. Tunca respondeu: “Não precisa de sair, pode ficar aqui.”

O Papa está de visita à Turquia até domingo, na sua primeira viagem ao estrangeiro como pontífice, que inclui também uma visita ao Líbano.

Leão XIV, relativamente desconhecido no panorama mundial antes de se tornar Papa em Maio, está a ser observado atentamente enquanto faz os primeiros discursos no estrangeiro e interage pela primeira vez com pessoas fora da Itália maioritariamente católica.

A Mesquita Azul tem oficialmente o nome do Sultão Ahmed I, líder do Império Otomano de 1603 a 1617, que supervisionou a sua construção. Está decorada com milhares de azulejos cerâmicos azuis, que dão origem ao nome popular.

Sem visita a Haghia Sophia

A estrutura do século XVII fica situada em frente à Hagia Sophia, uma antiga catedral de época bizantina que Leão não visitou, rompendo com viagens papais anteriores à Turquia. A Hagia Sophia, um dos locais de culto mais importante do Cristianismo durante cerca de um milénio, foi transformada em mesquita durante 500 anos após a queda do Império Bizantino.

Foi convertida em museu pela república secular da Turquia há mais de 70 anos, mas voltou a ser mesquita por decisão do Presidente Tayyip Erdogan em 2020.

O Vaticano não comentou a decisão de Leão de não visitar a Hagia Sophia. O falecido Papa Francisco, que visitou o edifício durante uma viagem à Turquia em 2014, disse em 2020 que estava “muito entristecido” por este ter voltado a ser mesquita.

O Papa escolheu a Turquia, maioritariamente muçulmana, como o primeiro destino internacional para assinalar o 1700.º aniversário de um importante concílio da Igreja realizado ali, que produziu o Credo Niceno, ainda hoje usado pela maioria dos cristãos no mundo.

Numa cerimónia na sexta-feira para assinalar o concílio da Igreja, com líderes cristãos de todo o Médio Oriente, o Papa condenou a violência em nome da religião e apelou aos cristãos para ultrapassarem séculos de divisões intensas.

Falando a clérigos seniores de países como Turquia, Egipto, Síria e Israel, Leão afirmou ser um escândalo que os 2,6 mil milhões de cristãos do mundo não estivessem mais unidos.