A franquia Knives Out já nasceu forte, mas chegou ao seu terceiro filme com uma missão complicada. Depois do sucesso dos dois primeiros longas, era difícil imaginar como a saga poderia se manter fresca sem soar repetitiva. Vivo ou Morto chega aos cinemas para mostrar que essa próxima fase não só é possível como pode se estender por muitos anos. O longa estreia nas telonas antes de chegar à Netflix em 12 de dezembro e deixa claro que existe muito fôlego pela frente.

O novo capítulo apresenta uma das mudanças mais inteligentes desde a criação da série de mistérios. Benoit Blanc, vivido por Daniel Craig, continua sendo o centro da experiência, mas não ocupa a posição de protagonista. O detetive funciona como o eixo moral e narrativo, mas o foco da investigação muda de mãos. Essa alteração estrutural dá ao filme um ritmo inesperado e surpreendentemente revitalizante.

Quem assume o posto de protagonista é Josh O’Connor, que interpreta o padre Jud. A trama não gira apenas em torno de seus conflitos e dilemas, mas se desenvolve a partir do impacto que o personagem provoca nas pessoas ao redor. O resultado é uma história mais íntima, tensa e carregada de camadas que ampliam o escopo da franquia. O ator prova que está preparado para esse tipo de papel e se torna o maior trunfo do filme.

Josh O’Connor e Josh Brolin em Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

Josh O’Connor e Josh Brolin em Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

(Foto: Divulgação/Netflix)

A dinâmica entre Jud e Blanc cria a espinha dorsal da narrativa. Craig, agora em posição mais contida, revela um lado diferente de seu detetive carismático. Sua presença é calculada para surgir nos momentos exatos em que a história precisa mudar de direção. Esse equilíbrio faz o enredo ganhar peso dramático sem abandonar o humor característico dos mistérios de Rian Johnson.

Ao colocar Daniel Craig em um papel secundário, o filme encontra uma solução que pode sustentar Knives Out pelo futuro inteiro da franquia. A alternância de protagonistas abre espaço para diferentes interpretações e novos atores de prestígio. A Netflix também se beneficia dessa estratégia, que permite a criação de antologias dentro de um mesmo universo, sempre apoiadas pela presença magnética de Blanc.

A história ainda aposta em um mistério grandioso, que envolve a morte de um padre durante um sermão e um esquema complexo por trás desse crime. A investigação conduz o espectador por pistas falsas, personagens suspeitos e reviravoltas bem encaixadas. Johnson entrega um dos roteiros mais afiados da franquia, equilibrando religiosidade, paranoia e crises internas sem perder o ritmo.

Vivo ou Morto surge como um divisor de águas para a saga. A decisão de reinventar a estrutura e colocar Josh O’Connor no centro da narrativa não só funciona como revigora a franquia. Com a estreia marcada para dezembro no streaming, o longa inaugura uma fase promissora e cria caminhos para que Knives Out continue evoluindo por muitos anos. Assista abaixo ao trailer do filme: