Depois do pedido de união e ambição, o mercado de transferências voltou a agitar o universo do Benfica depois da primeira vitória na Liga dos Campeões e antes da deslocação à pérola do Atlântico. A meio da semana, nos Países Baixos, as águias bateram o Ajax com golos dos suspeitos improváveis Samuel Dahl e Leandro Barreiro e fizeram os primeiros pontos numa Champions que estava a ser desastrosa e bastante longe dos pergaminhos do clube (2-0). No dia seguinte, já em Portugal, o presidente Rui Costa falou aos sócios no âmbito do 73.º aniversário da Casa do Benfica das Caldas da Rainha, pedindo “união e ambição” para o que resta da temporada — e do seu segundo mandato. Contudo, já esta sexta-feira, uma “bomba” relativa à última janela de transferências voltou a detonar.

As mãos de Trubin seguraram uma equipa com a cara de Leandro (a crónica do Ajax-Benfica)

Em entrevista à sport tv, João Félix confirmou que esteve perto de assinar pelo Benfica no verão e acrescentou que esse interesse se registou “nos últimos três verões”, não tendo avançado por motivos externos. “Sempre foi a minha vontade. Sempre disse isso aos meus agentes, mas nunca houve uma vontade séria por parte do clube. Não sei de quem. Nunca existiram problemas com valores de transferências ou salários”, explicou o internacional português que despontou nos encarnados. No meio dia, Rui Costa voltou a falar aos jornalistas e desmentiu Félix. “Fico com muita pena que o João tenha dito uma coisa do género, até por ele. Se dependesse da vontade do Benfica, já estava no Benfica há três anos. Não me quero alongar porque vou respeitar o João, é um jogador da casa. Terá de dizer o que é, para si, um clube fazer de tudo para o trazer para casa. Nestes três anos, provavelmente Chelsea, Barcelona, AC Milan e agora a Arábia Saudita quiseram-no mais do que o Benfica, provavelmente sim”, respondeu o presidente das águias.

Ficha de jogo

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Nacional-Benfica, 1-2

12.ª jornada da Primeira Liga 2025/26

Estádio da Madeira, no Funchal

Árbitro: Iancu Vasilica (AF Vila Real)

Nacional: Kaique; Léo Santos, Matheus Dias, Zé Vitor; Alan Nuñez, Miguel Baeza (Chiheb Labidi, 59’), Igor Liziero, José Gomes; Mootaz Nourani (Witi Quembo, 59’), Paulinho Bóia (Joel Silva, 84’) e Jesús Ramírez (Lucas João, 78’)

Suplentes não utilizados: Lucas Franças; André Sousa, Martim Watts, Chico Gonçalves e Deivison

Treinador: Tiago Margarido

Benfica: Anatoliy Trubin; Amar Dedic, António Silva, Nico Otamendi, Samuel Dahl; Enzo Barrenechea (Franjo Ivanovic, 60’), Fredrik Aursnes, Leandro Barreiro (Andreas Schjelderup, 76’); Rodrigo Rêgo (Gianluca Prestianni, 58’), Giorgi Sudakov e Vangelis Pavlidis

Suplentes não utilizados: Samu Soares; Manu Silva, Tomás Araújo, Joshua Wynder, João Veloso e João Rego

Treinador: José Mourinho

Golos: Ramírez (60’), Prestianni (89’) e Pavlidis (90+5’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Enzo (55’), Nourani (55’), Labidi (65’), Ramírez (71’), Prestianni (84’)

Com o foco na visita ao Nacional, num regresso ao Campeonato Nacional 20 dias depois do empate caseiro com o Casa Pia (2-2), o Benfica queria voltar às vitórias, mas para isso estava privado de contar com Richard Ríos, que cumpriu uma suspensão para estar apto para o dérbi da próxima sexta-feira. “Tem sido sempre titular, mas quando o Lukebakio se lesionou, e era um momento um pouco dramático, eu disse que jogaria outro. É uma boa forma de encarar a situação: há alternativas. Não devemos chorar com as coisas negativas, mas encará-las com otimismo. Espero que o substituto jogue tão bem como o Ríos. Estas equipas encontram uma motivação extra quando defrontam o Benfica. O Tiago Margarido está no clube há algum tempo, portanto têm as rotinas bastante afinadas. Serão um adversário bastante complicado, tendo em conta a agressividade que colocam no jogo”, explicou José Mourinho à BTV, uma vez que o clube da Luz preteriu da habitual conferência de imprensa.

Já os alvinegros têm conseguido consolidar-se no primeiro escalão do futebol português com Tiago Margarido, que é, a par Vasco Matos, que orienta o outro emblema insular, o treinador que chegou há mais tempo a um dos clubes deste Campeonato. À partida para esta jornada, o Nacional ocupava o décimo lugar, solidificando-se a meio da tabela. “Vamos tentar ser ambiciosos. Sabemos que temos um grande adversário pela frente, mas vamos competir e olhar ‘olhos nos olhos’ do Benfica. É uma equipa que apresenta que uma plasticidade tática bem acentuada, com a capacidade de construir com os dois centrais, mais os dois médios à frente e os laterais projetados num 4x2x3x1 mais clássico, ou em 4x3x3, com mais um no meio campo e com os extremos abertos. Inclusive, com a variante de poder pegar a três num controlo mais baixo. também já utilizou três centrais na Taça de Portugal”, analisou Margarido.

Olhando para os onze iniciais, José Mourinho fez apenas uma mudança face ao jogo frente ao Ajax, aquela a que estava obrigado. Sem Ríos, o “menino” Rodrigo Rêgo foi o escolhido para voltar a ser titular. Desta forma, Fredrik Aursnes juntou-se a Enzo Barrenechea no meio-campo, com Leandro Barreiro a atuar como terceiro médio e na primeira linha de pressão, com Vangelis Pavlidis. Já Rêgo ficou com o corredor direito, com Giorgi Sudakov na esquerda. Por sua vez, Tiago Margarido apresentou duas novidades em relação ao jogo em Braga, na Taça de Portugal, com Kaique a entrar para a baliza, por troca com Lucas França. No ataque, Mootaz Nourani juntou-se a Paulinho Bóia e Jesús Ramírez, com Miguel Baeza a baixar para o meio-campo, de onde saiu Chiheb Labidi.

O Benfica entrou com mais bola e teve a primeira ocasião da partida, com Barreiro a surgir na pequena área e a atirar fraco para defesa de Kaique com a perna esquerda (6′). Pouco depois, Samuel Dahl encontrou o luxemburguês à entrada da área, sem marcação, e o médio rematou para a baliza, com o guarda-redes brasileiro a defender para canto (10′). Com o Nacional a tentar pressionar, sem grande sucesso, a construção adversária e a fechar num 5x4x1, com Matheus Dias a baixar para o meio dos centrais Léo Santos e Zé Vitor, as águias continuaram por cima, recuperando rapidamente a bola e circulando a bola por todos os corredores. Foi precisamente por aí que Dahl desequilibrou numa jogada que terminou com Aursnes a rematar ao lado (26′). Seguiu-se nova arrancada pelo corredor, desta feita o direito, de Rêgo, que cruzou para o cabeceamento de Vangelis Pavlidis para defesa a dois tempos de Kaique (29′). A fechar o primeiro tempo, o grego colocou a bola no fundo da baliza nacionalista, numa jogada muita confusa, mas estava em fora de jogo (44′).

Na etapa complementar, a primeira oportunidade pertenceu aos insulares que, através de um contra-ataque, no qual Jesús Ramírez rompeu pelo meio, quase marcaram, com Anatoliy Trubin a defender para canto o remate do ponta de lança (53′). Pouco depois, Samuel Dahl encontrou Giorgi Sudakov na profundidade, o ucraniano cruzou de imediato para o centro da área e, completamente sozinho e com tudo para marcar, Leandro Barreiro rematou contra o seu pé de apoio (57′). Já com Gianluca Prestianni, Witi Quembo e Chiheb Labidi em campo, um erro de Nico Otamendi desfez o nulo na Choupana, com o capitão a colocar a bola nos pés de Paulinho Bóia, junto à sua área. O extremo deambulou para o meio e, no momento certo, serviu Chuchu Ramírez que, isolado, encostou para o fundo da baliza (60′).

O Benfica até reagiu bem ao golo e quase empatou de seguida, mas o remate de Vangelis Pavlidis, à entrada da área, foi travado por mais o voo de Kaique (63′). José Mourinho voltou a responder com a saída de Enzo Barrenchea, que estava amarelado, e a entrada de Franjo Ivanovic, colocando a equipa ainda mais ofensiva. Com o Nacional cada vez mais assente na linha de cinco na defesa, António Silva teve na cabeça o golo do empate mas, na pequena área, cabeceou por cima depois de Sudakov desferir um grande cruzamento (76′). Seguiram-se as entradas de Andreas Schjelderup e Lucas João e, em novo contra-ataque, os alvinegros quase fizeram o segundo tento, mas o remate em arco de Witi, na meia-direita, à entrada da área, saiu ligeiramente ao lado (80′). De seguida surgiu novo cabeceamento para as alturas, de Ivanovic (81′) e a entrada de Joel Silva para o meio-campo nacionalista.

Na reta final do desafio, o Nacional agarrou-se com tudo ao resultado e, em sentido inverso, o Benfica tentou de todas as maneiras e feitios para marcar, mostrando pouca clarividência no último terço. Até que, numa jogada de transição rápida, Amar Dedic encontrou Prestianni solto no corredor direito, o argentino recebeu, conduziu para a área e, de ângulo difícil, desferiu um remate que entrou junto ao poste mais distante (89′). Já no tempo de compensação, Schjelderup desequilibrou na esquerda, combinou com Otamendi já dentro da área e, depois de Léo Santos ter falhado o corte, cruzou rasteiro para a baliza, com Pavlidis a completar para o golo da reviravolta e da sofrida vitória encarnada (90+5′), carimbada por uma grande defesa de Trubin a remate do central brasileiro (90+9′).