Umaro Sissoco Embaló já não está no Senegal. O Presidente deposto da Guiné-Bissau chegou na madrugada deste sábado a Brazzaville a bordo de um avião fretado pelo chefe de Estado congolês, Denis Sassou-Nguesso. As críticas do primeiro-ministro Ousmane Sonko no Parlamento do Senegal, dizendo que o que estava a acontecer na Guiné-Bissau era uma “manobra” de Sissoco, terão precipitado a decisão de este pedir ao Presidente congolês que lhe desse guarida.
Segundo a Jeune Afrique, citando uma fonte próxima do Presidente deposto, Embaló aterrou na República do Congo acompanhado de uma dezena de pessoas, entre familiares e colaboradores mais próximos, tendo seguido para um hotel de Brazzaville.
Segundo o Confidentiel Afrique, terá sido Embaló a decidir que devia deixar Dakar com carácter de urgência, depois de uma noite “particularmente agitada”, tendo telefonado a Sassou-Nguesso a solicitar que o recebesse em Brazzaville.
A tensão na capital senegalesa aumentou depois de declarações do primeiro-ministro senegalês, Ousmane Sonko, que, durante uma sessão parlamentar nesta sexta-feira, classificou a situação política na Guiné-Bissau como resultado de “manobras” do próprio Embaló, ou seja de que teria sido o próprio Presidente deposto a idealizar o golpe para evitar que os resultados das eleições de domingo fossem divulgados e a sua derrota para Fernando Dias da Costa fosse confirmada.
O agora ex-chefe de Estado guineense é muito próximo de Sassou-Nguesso, os dois políticos conhecem-se há muito tempo, mesmo antes de Sissoco chegar à presidência da Guiné-Bissau em 2020.
De acordo com a revista francesa, o primeiro órgão de comunicação social a noticiar o golpe, depois do próprio Embaló ter telefonado ao director da publicação, François Soudan, o ex-Presidente guineense é um visitante regular na residência presidencial congolesa, onde vai para conversar com Sassou-Nguesso, a quem chama de “papá”. O Presidente congolês fez 82 anos no dia 23 de Novembro e está há 28 anos seguidos no poder.