Anúncio de 1972 em forma de quadrinhos destaca a evolução dos transportes com o modelo Ciferal Turbo Jumbo que tinha radiocomunicador

ADAMO BAZANI

A história dos transportes é tão rica que pode ser dividida em vários capítulos que gerariam outros mais e mais.

A imagem enviada ao Diário do Transporte pelo leitor Marcos Sérgio Fernandes é um exemplo disso.

Trata-se de uma criativa propaganda da Viação Cometa, de 1972, que era veiculada em revistas em quadrinhos da Walt Disney no Brasil, como a do Mickey Mouse.

A Cometa é uma empresa histórica, que surgiu em São Paulo com este nome em 1947, quando o fundador, o aviador italiano major Tito Mascioli, fundador da Auto Viação Jabaquara, adquiriu a empresa Auto Viação São Paulo-Santos. A empresa do Jabaquara foi criada em 1937 para servir o loteamento imobiliário que o sogro de Tito criara na ocasião na zona Sul da capital paulista.

Desde 2001/2002, a Cometa pertence a um conglomerado empresarial denominado Grupo JCA (iniciais do nome de Jelson da Costa Antunes, fundador de diversas companhias de ônibus e que morreu em 30 de julho de 2006 em um acidente de carro na rodovia Niterói-Manilha).

Ao longo dos anos, a Cometa se destacou por trazer inovações ao mercado rodoviário. A mais famosa foram os ônibus CMA – Flecha Azul, que sucederam os Dinossauros da encarroçadora Ciferal, e eram inspirados no GMPD 4104, o Morubixaba, ônibus norte-americanos que foram importados pela Cometa em 1954 para operar na lucrativa e competitiva rota São Paulo x Rio de Janeiro.  CMA é a sigla de Companhia Manufatureira Auxiliar, que era a própria fábrica de carrocerias da Cometa.

Mas as inovações não ficaram só na CMA.

A empresa investia em tecnologia de monitoramento e muito em marketing e propaganda.

A imagem enviada por Marcos revela isso.

A propaganda destaca o Turbo-Jumbo, um modelo de ônibus de alto padrão para a época que também atuava na rota Rio de Janeiro X São Paulo.

Foi uma das apostas, e bem sucedidas, da Cometa no trajeto entre os anos de 1960 e 1970, antes do Ciferal Dinossauro que só surgiria em 1972 e seria produzido até 1982, quando foi descontinuado pela falência da Ciferal e sucedido pelo Flecha da CMA.

O anúncio, de forma criativa, ressalta que o modelo Turbo-Jumbo tinha radiocomunicador.

Apesar de a propaganda dizer que a Cometa era pioneira neste recurso, na prática não se tem certeza disso.

Tanto é que em um anúncio da década anterior, anos 1960, a Viação Itapemirim já destacava a tecnologia em seus ônibus monoblocos Mercedes-Benz, como mostrou o Diário do Transporte.

Relembre neste link:

https://diariodotransporte.com.br/2024/09/22/historia-os-monoblocos-da-itapemirim-que-conversavam/

O anúncio da Cometa poderia estar referindo-se ao pioneirismo do radiocomunicador entre os ônibus e com centrais de controle operacional (CCO) na rota Rio de Janeiro a São Paulo.

Pode até ser, mas o que importa é o registro e que a Cometa foi sim uma das pioneiras em informações e tecnologia associadas ao transporte.

E a propaganda em si é um clássico porque numa publicação em quadrinho, na revista do mesmo formato, integrou o conteúdo da Disney ao anúncio e passou a mensagem de evolução.

A historinha chama do “UGH ao BIP”. Os quadrinhos começam com homens da pré-história conversando aos gritos, passam pelo tambor, mensagens de fumaça (até com uma piadinha), telégrafo, o rádio e a música, até o rádio chegar ao Turbo-Jumbo.

Ou seja, na primorosa propaganda descontraída, o Turbo-Jumbo da Cometa, ao incorporar o recurso de radiocomunicador traz uma evolução na comunicação.

A tecnologia era usada para monitorar as viagens e alertar os motoristas sobre eventuais problemas na rodovia para que fossem tomadas ações preventivas.

Os motoristas comunicavam entre si, nos ônibus, e ainda havia a comunicação entre as centrais de controle e os veículos.

Mas a evolução não parou aí e hoje sistemas computadorizados transmitem e recebem muitos mais dados de operação em tempo real, como desempenho, consumo, dirigibilidade.

O radiocomunicador foi evolução, porém não a última palavra, esta, que na verdade, nunca haverá, porque não só pelos veículos, mas pela sua dinâmica e tecnologia, o transporte é um setor em constante movimento. Quando se pensa que chegou ao ápice da evolução, aparece mais uma novidade. E assim, segue a humanidade, segue o transporte…

Veja a propaganda inteira e também uma foto de divulgação e um vídeo de propaganda do Turbo-Jumbo:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes