Logo quando você acha que Zootopia 2 abandonou a pesada alegoria social que marcava o original, a sequência começa a desenrolar uma ainda mais intrincada. O que parece se acalmar em um filme policial de parceiros típico, em vez disso, torna-se uma história sobre planejamento urbano discriminatório, incitação de medo contra minorias e um grupo de refugiados que foram desalojados à força de suas terras.
Isso, para ser claro, é um filme da Disney animado sobre as criaturas da natureza vivendo na grande cidade. Mas isso é o esperado; muitos filmes infantis giram em torno de lições ordenadas sobre os perigos do preconceito, mas poucos foram tão explícitos quanto Zootopia (2016), um filme engraçado e encantador cujas metáforas problemáticas sobre racismo faziam você se encolher se as examinasse de perto.
Dirigido por Jared Bush e Byron Howard, a sequência consegue suavizar algumas dessas gafes mesmo enquanto se aprofunda na lama alegórica. Isso resulta em um trabalho mais abrangente e cheio de ação, ainda que um tanto inchado. Após solucionarem um caso com sucesso no final do primeiro filme, a Oficial Judy Hopps (dublada por Ginnifer Goodwin), uma coelha policial esforçada e do bem, e seu improvável amigo raposa Nick Wilde (Jason Bateman), oficialmente se tornam parceiros na força.
‘Zootopia 2’ é ambicioso e trama complicada poderia ter sido reduzida em bons 15 minutos Foto: Disney vía AP
Eles estão ajudando a proteger e preservar uma utopia animal onde todos são iguais e se dão bem – exceto os répteis, um subgrupo que tem sido proibido de entrar na cidade por gerações.
Mas quando Judy e Nick encontram uma cobra chamada Gary (Ke Huy Quan) roubando um diário antigo que pertence a uma rica e poderosa família de linces, a dupla começa a descobrir uma elaborada conspiração que lança uma nova e feia luz sobre as origens da cidade. Sua jornada cheia de reviravoltas para encontrar, em essência, o Robert Moses de Zootopia, acaba por provocar uma ruptura em sua parceria e os lança em uma série de sequências de ação e novos territórios da cidade.
‘Zootopia 2’ acaba de estrear nos cinemas Foto: Disney via AP
Ambicioso até demais
A sequência aproveita um dos pontos fortes do original, usando uma espécie de técnica de boneca russa na construção do mundo, na qual a riqueza visual e energia são reunidas ao focar consistentemente mais nos pequenos e inteligentes gags da vida urbana animal. Mas também estende essa abordagem a muitos lugares e trocadilhos. Uma piada de O Poderoso Chefão retorna; somos levados tanto para debaixo d’água quanto para paisagens nevadas; estamos nos desertos de um festival Burning Mammal e nos altos arbustos do labirinto mortal de O Iluminado.
É ambicioso até ser demais em uma sequência cuja trama complicada poderia ter sido reduzida em bons 15 minutos. É possível imaginar a cabeça de uma criança confusa tentando acompanhar a narrativa complicada, muito menos entender a política espinhosa e um tanto simplista embutida nela.
Mas é também, crucialmente, uma continuação que se livra da lógica cinicamente rotineira das sequências. Se Zootopia nos apresentou a um mundo animal original, este acredita na construção de um universo. Pode ser emocionante, mesmo que se perca em sua própria criação.
Este artigo apareceu originalmente no The New York Times.
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