A Direcção-Geral da Saúde (DGS) recomendou este domingo medidas preventivas face às previsões de tempo frio, em especial na região Norte, recordando que há um aumento do risco de doenças respiratórias, agravamento de condições crónicas e acidentes.

Dando conta de que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê para os próximos dias tempo frio, com alguns distritos do Norte de Portugal continental a registarem temperaturas negativas, a DGS emitiu algumas recomendações à população para que se proteja dos efeitos negativos do frio na saúde.

Entre as recomendações estão evitar exposições prolongadas ao frio e mudanças bruscas de temperatura, vestir por camadas, usar gorro, luvas e cachecol, tentar “não ficar sentado mais de uma hora seguida” quando se estiver em casa, beber água mesmo que não se tenha sede, consumir sopas e bebidas quentes, evitar álcool, aumentar o consumo de alimentos ricos em vitaminas, sais minerais e antioxidantes (por exemplo, frutos e hortícolas), e evitar alimentos fritos, com muita gordura ou açúcar.


A DGS apela também a uma “atenção reforçada com os mais vulneráveis” como crianças pequenas, pessoas idosas, pessoas com doenças crónicas, trabalhadores ao ar livre, pessoas em situação de isolamento ou sem-abrigo, além de sugerir cuidados com a actividade no exterior, evitando-se esforços intensos no frio e usando roupa adequada.

Outras das recomendações são manter o aquecimento seguro em casa e a vacinação, nomeadamente contra a gripe e a covid-19.

A DGS refere ainda que se deve ligar para o 112 quando se achar que alguém pode estar com hipotermia, incluindo os sinais típicos: tremores, respiração lenta, cansaço ou confusão e pele pálida e fria.

De acordo com o mais recente boletim de vigilância da gripe do Instituto Nacional de Saúde doutor Ricardo Jorge (INSA), a época de gripe deste ano começou três a quatro semanas mais cedo do que nos últimos dois anos. “Como é habitual, a epidemiologia varia entre países, mas todos reportaram predominância da gripe A, com o A(H3N2) a impulsionar a tendência de aumento nas últimas semanas”, lê-se no documento que lembra que “a circulação é mais intensa nas crianças entre os 5 e os 14 anos”.

O boletim revela que “estão a ser observados aumentos no número de hospitalizações em alguns países, afectando todas os grupos etários, mas principalmente os adultos com 65 anos ou mais”. Em causa está uma alteração do vírus A (H3N2), o subclade K, que está a emergir como dominante nalguns países, e não está contemplado nas vacinas, o que pode levar a um aumento da incidência e pressão sobre os sistemas de saúde.

O INSA lembra que a vacinação é a medida mais eficaz para a protecção contra formas mais graves de doenças virais respiratórias e apela a que as pessoas elegíveis para vacinação, especialmente aquelas com maior risco de resultados graves, sejam vacinadas.

A ministra da Saúde Ana Paula Martins admitiu que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai ser sujeito a “uma pressão muito grande” por causa da nova estirpe da gripe e alertou que o Inverno “vai ser muito duro”.

As épocas de frio e de calor excessivo estão associadas a picos de mortalidade, seja pelas infecções respiratórias, seja pela descompensação de doenças crónicas. Segundo dados do INSA, divulgados em Agosto, Portugal registou, em Janeiro deste ano, 1209 óbitos em excesso (acima do esperado).