Sébastien Ogier foi questionado sobre as mudanças de regras que se aproximam para 2027, e o agora nove vezes Campeão Mundial de Ralis, adotou uma postura cautelosa mas reveladora. Sem se aprofundar em detalhes técnicos específicos, o piloto francês deixou claro a sua filosofia sobre o presente e o futuro da disciplina.

“Não sou a pessoa melhor informada sobre todas estas mudanças”, admitiu Ogier, preferindo concentrar-se no que o rodeia agora. A sua prioridade é evidente: extrair o máximo do presente, sem se perder em especulações sobre o que virá.

O pivô da reflexão de Ogier situa-se numa convicção fundamental: o futuro do ralis depende mais da igualdade competitiva do que da sofisticação técnica. “Espero que no futuro tenhamos tantos pilotos quanto possível com carros semelhantes, pois o espetáculo será grande”, afirmou, apontando para a realidade de que os ralis possuem uma capacidade inata de proporcionar experiências memoráveis.

Regras sensatas, não sofisticação excessiva

Quando se trata das futuras regulamentações técnicas, Ogier defende uma abordagem equilibrada. “Não precisamos de ser demasiado loucos, demasiado sofisticados”, argumentou, reforçando que a verdadeira inovação reside na sensatez. A importância do controlo orçamental surge como elemento decisivo na sua visão.

A filosofia é clara: um desporto sustentável financeiramente tende a ser mais próspero e inclusivo.

Potência não é sinónimo de espectáculo

Um dos pontos mais interessantes da sua análise prende-se com a desmistificação da potência bruta. “Não precisamos de ter 600 cv para dar espetáculo; com menos podemos fazer um espectáculo fantástico da mesma maneira”, referiu Ogier, sugerindo que o verdadeiro valor reside não na quantidade de cavalos-vapor, mas na forma como estes são utilizados e geridos.

Esperança num novo Promotor

Embora relutante em entrar em pormenores, Ogier deixou escapar uma pista importante sobre o futuro: “Espero que tenhamos um novo Promotor a chegar no próximo ano”. Esta afirmação sugere mudanças significativas na gestão da disciplina, algo que o piloto aguarda com otimismo.

A reflexão final de Ogier sintetiza a atmosfera que permeia atualmente o desporto: “Tenho a certeza que muita gente está a trabalhar neste momento para tentar fazer o desporto tão grande como já foi, talvez ainda maior.”

Estas palavras revelam uma comunidade comprometida em redimensionar o ralis, não através de mudanças radicais, mas de decisões ponderadas e estratégicas. A esperança paira sobre o horizonte de 2027, e figuras como Ogier continuam a dar forma a essa visão através de reflexões pragmáticas como esta.