Dezenas de milhares de pessoas juntaram-se este domingo em Madrid para uma manifestação, convocada pelo Partido Popular (PP) de Alberto Núñez Feijóo, contra a corrupção no Governo de Pedro Sánchez. Afirmando-se “farto da corrupção” dos socialistas, o líder da direita espanhola voltou a exigir eleições antecipadas, uma vez que “a Espanha não aguenta nem mais um dia”.
De acordo com os números do Governo espanhol, o protesto reuniu 40 mil pessoas. No entanto, os números avançados pelo Partido Popular apontam para o dobro dos participantes, avançou o El País. Na antecipação do protesto, Feijóo tinha apelado à comparência de “todos os cidadãos que querem falar”, mas a quem Pedro Sánchez “não dá voz”, ao não convocar eleições antecipadas.
Nesta que foi a sétima manifestação promovida pelo PP contra o executivo de Sánchez, sob o lema “Efectivamente, máfia ou democracia?”, Feijóo, por vezes interrompido pela multidão que pedia a gritos a demissão de Sánchez, lançou um repto aos partidos do arco parlamentar, a quem exigiu a escolha entre “corrupção ou limpeza”, aludindo a uma possível moção de censura ao executivo.
“O sanchismo está na prisão e tem de sair do Governo”, disse Feijóo, sugerindo que o líder do Partido Socialista (PSOE) pode seguir o mesmo caminho que três pessoas do seu círculo mais próximo que o acompanhavam numa viagem de automóvel em 2016: “Quatro entraram nesse carro para chegar ao poder e três já conhecem a prisão, falta um, o presidente do Governo.”
O comentário refere-se às prisões preventivas do ex-ministro dos Transportes, José Luis Abalos, do seu ex-assessor, Koldo García, e de Santos Cerdán, ex-número dois do PSOE, este último já em liberdade condicional, todos acusados pela justiça espanhola no caso Koldo, por um alegado esquema de corrupção.
Para Feijó, os socialistas olharão para “esta etapa” da sua história “com vergonha”: “Primeiro foi o Koldo, que era um assessor secundário; depois foi o Ábalos, que decepção”, ironizou. “Depois foi o Cerdán e em breve será o Sánchez. E, digo-vos: quando isso acontecer, não finjam surpresa.”
Entre as várias personalidades que marcaram presença, estavam os ex-presidentes de Governo José María Aznar e Mariano Rajoy, bem como quase todos os presidentes das comunidades autónomas do PP, incluindo Isabel Díaz Ayuso, de Madrid.
“Não nos acostumemos ao que não é normal, assim começam todas as ditaduras”, proclamou, por seu lado, a presidente da comunidade de Madrid. “Travemos todas as batalhas até ao fim. Estão todos ligados a uma máfia de corrupção que tenta impedir a alternância política. Mesmo que venham tempos muito difíceis, não desviemos o olhar”, acrescentou, citada pelo El País.
O protesto aconteceu dias depois de se tornar pública a condenação — e posterior demissão — do procurador-geral de Espanha, Álvaro García Ortiz, por violação de segredo de justiça num caso que envolve o companheiro de Ayuso. Apesar de implicada no processo, a presidente da comunidade de Madrid conseguiu retirar dividendos políticos do caso judicial e apresenta-se agora como uma “cidadã” que luta “contra um Estado que conspira contra ela”.
O presidente da Câmara de Madrid, José Luis Martínez-Almeida, defendeu Ayuso no caso, referindo-se à presidente da comunidade como uma “pessoa perseguida pelos poderes do Estado”. O autarca da capital reiterou também que Espanha caminha para, ou já é, uma “ditadura”.
“Este Governo não respeita a democracia nem a Constituição de 1978. Nega-nos a possibilidade de ir votar”, insistiu o autarca.
As eleições legislativas espanholas, que os manifestantes pretendem ver antecipadas, estão previstas para 2027, quando se cumprem os quatro anos de mandato previstos na Constituição.