Nos últimos cinco anos, o número de moradores do Grande ABC diagnosticados com câncer de pele tem apresentado queda. Segundo dados do DataSUS, painel do Ministério da Saúde, foram registrados 1.113 casos entre janeiro e setembro de 2019, contra 197 nos mesmos meses deste ano – redução de 82% no período. Os números mostram diminuição gradual ano a ano. Entre 2024 e 2025, os diagnósticos na região caíram 31%, totalizando 287 registros no ano passado. (Veja infográfico)

“É possível que a queda esteja relacionada, entre outros fatores, à redução das consultas em 2020 e 2021 devido à pandemia da Covid-19”, afirma a dermatologista especializada em oncologia cutânea, Thaís Bello. A médica ressalta a importância da campanha Dezembro Laranja, iniciativa da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) que visa conscientizar a população sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pele.

“Muitas pessoas não sabem o que é a doença nem a importância de examinar a pele com regularidade. O momento do diagnóstico é o que define se o problema será simples de resolver ou se poderá ter consequências graves, inclusive fatais”, explica.

A campanha de conscientização ocorre próximo ao verão para reforçar as medidas de proteção solar, visto que o excesso de exposição ao sol é o principal fator de risco. Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), para a prevenção é necessário evitar a exposição ao sol sempre que possível, principalmente nos horários mais intensos, ou seja, das 10h às 16h, sem proteção. 

Se a exposição for inevitável, recomenda-se o uso de chapéus, guarda-sóis, óculos escuros, camisas de mangas longas e filtros solares. “O câncer de pele é o tipo mais frequente no mundo. Isso acontece porque a pele está exposta ao sol o tempo todo”, ressalta a dermatologista. 

A especialista enfatiza que o dano solar é cumulativo ao longo dos anos. “Após uma queimadura, a pele pode apresentar bolhas, descamação, vermelhidão e ardência, porém esses sinais representam apenas o dano imediato. O efeito mais preocupante é o que fica registrado: alterações no DNA das células da pele. Essas mutações vão se acumulando até que surge uma célula cancerígena, que passa a se dividir de forma descontrolada.”

SINTOMAS

Apesar de muitos cânceres de pele serem curáveis, alguns podem levar à morte. A doença pode causar consequências como perda de partes importantes do nariz, orelha ou áreas do rosto. Existem ainda casos em que o câncer de pele causa metástases a distância, atingindo órgãos como fígado, pulmão ou cérebro.

No estágio inicial da doença, a probabilidade de cura pode chegar a 100%. Por isso, é importante, além da prevenção com a proteção solar, observar alterações no corpo e ir periodicamente ao dermatologista.

A médica Thaís Bello explica ainda como diferenciar manchas comuns na pele de um carcinoma. “A principal diferença é a persistência. Geralmente trata-se de uma ferida que não cicatriza e permanece sempre em um lugar, ou uma pinta diferente que continua ali por anos, mudando de cor, tamanho ou aspecto, sempre no mesmo ponto.”

Na maioria das vezes, o tratamento é cirúrgico, com retirada do tumor. Nos casos mais avançados ou com características de maior agressividade, podem ser necessários tratamentos complementares como radioterapia, quimioterapia ou imunoterapia. 

LEIA TAMBÉM:

Acidentes de trânsito na região geram um prejuízo de R$ 620 milhões