A Airbus revelou nesta segunda-feira ter detectado um problema de qualidade na sua cadeia de produção que afecta painéis metálicos de um número “limitado” de aeronaves da gama A320, confirmando uma notícia anterior da Reuters. Este é o mais recente desafio para a fabricante aeronáutica europeia, após a imobilização de milhares de aviões durante o fim-de-semana para uma actualização urgente de software.

As acções da empresa em bolsa chegaram a cair 10% esta segunda-feira, agravando perdas anteriores. Transportadoras aéreas particularmente dependentes da Airbus, como a Lufthansa e a easyJet, também viram as suas acções cair.

Num comunicado enviado por email, um porta-voz disse que a empresa estava a inspeccionar todas as aeronaves potencialmente afectadas pelo problema de produção, e que apenas uma parte destas necessitará de medidas adicionais. “A fonte do problema foi identificada, contida e todos os painéis recém-produzidos estão em conformidade com todos os requisitos”, disse o porta-voz. O responsável acrescentou que se tratava de um problema com um fornecedor da empresa, sem o nomear.

Estes problemas na Airbus surgem numa altura em que a empresa está a intensificar os esforços para cumprir as ambiciosas metas anuais de produção. Fontes do sector disseram à Reuters que a construtora aeronáutica entregou 72 aviões em Novembro, menos do que muitos analistas esperavam, elevando o total anual para 657 aviões entregues até ao momento. O objectivo da Airbus para 2025 seria “cerca de 820” entregas, o que significa que teria de atingir um desempenho recorde de mais de 160 aviões entregues aos clientes em Dezembro. O recorde mensal de entregas da Airbus é de 138 aeronaves em 2019, o que sublinha a dimensão do desafio.

Os analistas permanecem divididos sobre se a maior fabricante de aviões do mundo cumprirá os seus objectivos, que determinam as receitas e o fluxo de caixa, uma vez que as companhias aéreas pagam grande parte do valor de um avião no momento da entrega. Chloe Lemarie, analista da Jefferies que acompanha a entrega de aeronaves e previa 71 entregas para Novembro, disse que o desempenho do mês foi mais fraco do que o esperado. A meta continua a ser alcançável, no entanto, uma vez que a produção subjacente está a aumentar, acrescentou a analista numa nota aos investidores emitida antes desta última notícia relativa a problemas de produção ter sido revelada.

O analista de aviação independente Rob Morris considera que a Airbus poderá atingir cerca de 800 entregas este ano, o que outros observadores do sector dizem que pode ser suficiente para a empresa reivindicar a vitória com base na formulação da sua previsão, as tais “cerca de 820” entregas, mas com algum risco de o resultado final poder vir a ser “ligeiramente inferior”.