Rissech et al. / Heritage

O crânio do cavaleiro medieval era excecionalmente comprido e estreito
Arqueólogos espanhóis identificaram uma anomalia genética no ADN de um cavaleiro medieval cujos restos apresentavam um crânio extremamente alongado, que apontam para uma possível doença rara.
O crânio de um cavaleiro medieval, cujos restos foram encontrados durante escavações no castelo de Zorita de los Canes, em Espanha, chamou a atenção dos investigadores devido à sua forma invulgarmente alongada. Ao que tudo indica, o guerreiro pertencia à Ordem de Calatrava, ativa entre os séculos XIII e XV.
Uma análise ao ADN do esqueleto permitiu a uma equipa de investigadores da University Rovira i Virgili, em Tarragona, concluir que o cavaleiro teria uma doença genética rara — possivelmente, síndrome de Crouzon.
O estudo, recentemente publicado na revista Heritage, detalha que este guerreiro fazia parte da Ordem de Calatrava, ativa entre os séculos XIII e XV.
Os investigadores localizaram dezenas de sepulturas com lesões bélicas, mas este indivíduo destacou-se de imediato por apresentar uma morfologia craniana que não correspondia a nenhum padrão habitual conhecido em restos medievais.
Os autores do estudo determinaram que o homem teria cerca de 45 anos quando morreu e que o seu esqueleto exibia marcas musculares normalmente associadas a um estilo de vida muito ativo.
Além disso, apresentava feridas perfurantes na cabeça e uma forte pancada na perna, indícios compatíveis com uma morte em combate.

Apenas alguns ossos do cavaleiro medieval sobreviveram
O esqueleto tinha sido encontrado no castelo de Zorita de los Canes, no centro de Espanha, que foi ocupado do século XIII ao século XV pela Ordem de Calatrava, um grupo de cavaleiros e monges que assumiram responsabilidades militares.
Segundo revelou à Live Science a antropóloga Carme Rissech, autora principal do estudo, três das suturas cranianas — articulações entre os ossos do crânio — tinham fechado prematuramente, provocando a deformação.
“Fiquei extremamente surpreendida. Nunca tinha visto um crânio assim”, diz a investigadora. A fusão precoce destas uniões, conhecida como craniossinostose, está associada a mutações que podem originar a síndrome de Crouzon — uma hipótese reforçada pelo facto de apenas o crânio do cavaleiro medieval ter sido afetado, e o resto do seu esqueleto não.
Esta patologia provoca um crescimento anómalo do crânio, que, na época medieval, era especialmente perigoso devido à ausência de intervenções cirúrgicas capazes de evitar danos cerebrais e complicações fatais.
Apesar das limitações médicas da época, os restos revelam que o cavaleiro conseguiu sobreviver durante décadas. A conjugação de uma patologia tão grave com uma trajetória de vida tão longa é extremamente rara no contexto medieval.
Os autores do estudo salientam a singularidade do caso, já que a maioria dos registos arqueológicos desta doença correspondem a crianças que não chegaram à idade adulta. A confirmação definitiva desta hipótese exigirá a conclusão da análise genética.