O Governo da Lituânia lançou um programa em que milhares de crianças vão aprender a pilotar, construir e programar drones. A iniciativa é tutelada pelos ministérios da Educação e da Defesa, chegando a várias escolas lituanas, descreve uma reportagem no diário espanhol El País.

Apresentado em Agosto, o plano de formação deverá chegar a 22.000 pessoas — incluindo 7000 crianças — na construção e operação de drones antes de 2028.

As crianças mais jovens aprendem a pilotar drones num simulador, com joystick e videojogos que ensinam gradualmente os controlos necessários para operar um destes aparelhos.

Depois da experiência de simulador, as crianças passam a operar os drones no exterior, aprendendo também como construir e reparar estes aparelhos em caso de necessidade. Por último, são ainda leccionados módulos de programação, com as crianças a conseguirem modificar o software dos drones e programá-los para desempenharem tarefas específicas de forma automática.

O programa abrange crianças a partir dos oito anos. As aulas são semanais e duram uma tarde, prolongando-se durante todo o ano lectivo. Há ainda um programa para adultos com aulas aos fins-de-semana.

A Lituânia observou com atenção a maneira como os drones transformaram o conflito entre Rússia e Ucrânia. Apesar de os primeiros meses da invasão serem dominados pelo destacamento de tanques e artilharia, o uso de drones a nível táctico por ambos os lados ganhou cada vez mais relevância à medida que o conflito se arrastou.

A verdade é que os drones oferecem múltiplas vantagens e podem ser usados em várias operações. De recolha de informação das linhas inimigas até ao reabastecimento de munições, provisões e equipamento das tropas na linha da frente, estes aparelhos velozes, facilmente reparáveis e baratos são o principal trunfo de Ucrânia e Rússia.

O país báltico tornou-se um dos principais fabricantes de drones, fornecendo vários do que acabaram na frente da guerra ucraniana.

Em Outubro passado, o espaço aéreo lituânio foi violado por dois aviões russos. O aeroporto de Vílnius teve de interromper por diversas vezes as operações, devido à presença de drones ou balões de hélio, outro dos objectos usados na guerra da Ucrânia.