O número de mortos pelas cheias que atingiram a ilha de Sumatra, no oeste da Indonésia, voltou a aumentar, atingindo 502, com mais de 500 pessoas desaparecidas, anunciou a agência de gestão de catástrofes. Este último balanço eleva o número total de mortes nas recentes cheias que afectaram a Indonésia, a Tailândia, a Malásia e o Sri Lanka para mais de mil.
As autoridades destes países asiáticos prosseguiram os seus trabalhos para desobstruir estradas e remover destroços, além de procurar pessoas desaparecidas após chuvas torrenciais, inundações repentinas e deslizamentos de terra, numa das piores cheias da década.
A Indonésia, o país mais atingido, registou pelo menos 500 mortes, enquanto 500 pessoas permaneciam desaparecidas, de acordo com os dados mais recentes. Pelo menos duas cidades da ilha de Sumatra, a mais atingida no país, permaneciam inacessíveis, e as autoridades anunciaram o envio de dois navios de guerra de Jacarta para prestar auxílio.
“Duas cidades requerem atenção especial devido ao seu isolamento, nomeadamente Tapanuli Central e Sibolga”, disse Suharyanto, chefe da agência nacional de gestão de catástrofes, em comunicado, informando que os navios de guerra eram esperados em Sibolga na segunda-feira.
Na aldeia de Sungai Nyalo, a cerca de 100 quilómetros de Padang, a capital de Sumatra Ocidental (Indonésia), as águas das cheias já tinham recuado em grande parte, revelando casas, veículos e plantações cobertas por uma espessa camada de lama cinzenta.
As autoridades ainda não tinham começado a desobstruir as estradas, disseram os habitantes locais à agência AFP, adiantando que ainda não tinha chegado ajuda externa. “A maioria dos residentes optou por ficar, não queriam abandonar as suas casas”, disse Idris, 55 anos, que, como muitos indonésios, usa apenas um nome.
Na Tailândia, onde pelo menos 162 residentes morreram, as autoridades continuaram a distribuir ajuda a dezenas de milhares de pessoas sem-abrigo e a reparar os danos. O Governo aplicou medidas de assistência para os afectados pelas cheias, incluindo indemnizações até dois milhões de baht (cerca de 53 mil euros) para as famílias que perderam membros. No entanto, as críticas à resposta do país às cheias aumentaram, tendo dois funcionários locais sido suspensos dos seus cargos.
Na Malásia, as cheias que submergiram grandes áreas do estado de Perlis, no norte do país, fizeram dois mortos.
Na Ásia Meridional, o Centro de Gestão de Desastres (DMC) do Sri Lanka informou que pelo menos 334 pessoas morreram após uma semana de fortes chuvas provocadas pelo ciclone Ditwah, enquanto outras 400 ainda estavam desaparecidas. Enquanto o ciclone Ditwah se deslocava em direcção à Índia no sábado, áreas inteiras a norte da capital, Colombo, foram inundadas, afectando mais de um milhão de pessoas.
O Presidente, Anura Kumara Dissanayake, declarou o estado de emergência no sábado, o que lhe concede amplos poderes para gerir a crise. Também os militares foram mobilizados para apoiar os esforços de ajuda. Segundo as autoridades, cerca de um terço da população continua sem electricidade e água corrente.
Este é o pior desastre natural a atingir o país desde 2017, quando as inundações e os deslizamentos de terras mataram mais de 200 pessoas.
As alterações climáticas afectaram os padrões de tempestades, incluindo a duração e a intensidade das chuvas, que são mais intensas, com inundações repentinas e rajadas de vento mais fortes.