Roscosmos

Complexo 31/6, no cosmódromo de Baikonur, após o lançamento da missão Soyuz MS-28 de 27 de novembro

A Rússia sofreu um grave revés no dia 27 de novembro, depois de o lançamento da missão Soyuz MS-28, que transportava astronautas para a Estação Espacial Internacional, ter causado danos severos na única plataforma do país capaz de suportar foguetões tripulados.

Os lançamentos espaciais tornaram-se hoje tão rotineiros que quase merecem tanta atenção mediática como a descolagem de um voo comercial transatlântico. Mas, de vez em quando, algo corre mal – e algumas dessas falhas podem ter consequências sérias.

Lançada a 27 de novembro, a MS-28 era uma missão de rotina que enviava para a ISS, a bordo de uma cápsula Soyuz lançada num foguetão Soyuz 2.1a, o cosmonauta russo Sergey Kud-Sverchkov e os engenheiros de voo Sergei Mikaev, da Roscosmos, e Christopher Williams, da NASA.

O lançamento decorreu de forma quase aborrecidamente rotineira , a nave Soyuz partiu para o seu destino e entregou com sucesso os seus passageiros na ISS. Tudo correu bem — exceto no que toca à plataforma de lançamento.

Construído no início dos anos 60, o Complexo 31/6, no cosmódromo de Baikonur, inclui um equipamento essencial para preparar os foguetões para o lançamento, explica o New Atlas.

Trata-se da Cabine de Manutenção 8U216, uma plataforma metálica móvel que permite aos técnicos aceder, antes da descolagem, à secção inferior do foguetão, incluindo os motores do primeiro e do segundo andares.

Quando termina a sua função, a cabine é descida para o fosso de desvio dos gases e empurrada lateralmente para uma espécie de nicho protegido, fechado por um ecrã metálico. Normalmente, com a cabine arrumada em segurança, o escape do foguetão passa ao lado sem provocar estragos.

Mas, no último lançamento, ou a cabine se soltou das fixações ou nunca chegou a ficar devidamente trancada. Resultado: o impulso de cerca de 4,4 toneladas m/s da Soyuz arrancou a cabine de 144 toneladas e atirou-a para o fosso de exaustão, 20 m abaixo, onde ficou destruída de forma catastrófica.

Isso já seria suficientemente mau, mas o Complexo 31/6 é a única plataforma russa capaz de suportar missões de lançamento tripuladas para a ISS e, sem a cabine, fica fora de serviço. Não é claro durante quanto tempo.

A Roscosmos afirma no seu canal no Telegram que “todos os componentes sobresselentes necessários estão disponíveis para reparação e os danos serão reparados em breve”. Outras fontes, porém, apontam para a possibilidade de as obras demorarem até dois anos a ficar concluídas.

O incidente é irónico, porque inverte a situação de 2011, quando o Space Shuttle americano foi retirado de serviço, deixando as cápsulas russas Soyuz como o único meio de chegar à ISS — até a Crew Dragon, da SpaceX, ter entrado em operação.

Agora, é a Rússia que fica de fora, enquanto os Estados Unidos passam a deter, na prática, o monopólio dos voos tripulados para a estação.

Felizmente, até agora, os voos espaciais têm escapado incólumes às tensões diplomáticas entre os EUA e a Rússia, e, mais guerra, menos guerra, a NASA e a Roscosmos continuam a cooperar, assegurando o envio de cosmonautas e astronautas para a ISS — e o seu regresso.


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