Dois candidatos de direita, o empresário Nasry Asfura, apoiado por Donald Trump, e o apresentador de televisão Salvador Nasralla estão praticamente empatados, de acordo com resultados preliminares das presidenciais nas Honduras.
Asfura, ex-autarca da capital, Tegucigalpa, de 67 anos, lidera a corrida contra Nasralla, de 72 anos, por apenas 515 votos, após a contagem digital de 57% das urnas, anunciou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) hondurenho.
Na segunda-feira, Ana Paola Hall reconheceu, na rede social X, que esta estreita margem de vitória, considerando a margem de erro, constitui um “empate técnico”. A dirigente pediu paciência aos eleitores e acrescentou que a recontagem manual dos votos, que já está em curso, pode demorar vários dias.
Gracias al pueblo hondureño por acudir a las urnas y ayudarnos a cuidar el proceso electoral.
Hoy, un día después de las Elecciones despertamos en un país con paz, sin actos de violencia y eso es un triunfo para todos los que amamos Honduras.
Quiero informarles que el TREP ha…
— Ana Paola Hall (@APHall_CNE) December 1, 2025
Dos EUA, porém, as reacções não revelam paciência. O Presidente dos EUA acusou as autoridades das Honduras de tentarem manipular os resultados das presidenciais. “Parece que as Honduras estão a tentar mudar o resultado das suas eleições presidenciais. Se o conseguirem, pagarão um preço elevado!”, escreveu Trump, sem apresentar qualquer prova.
Numa mensagem publicada na segunda-feira, na rede social que detém, a Truth Social, o líder republicano considerou imperativo que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) hondurenho termine a contagem dos votos.
Candidatos certos da vitória
“Os números falarão por si”, disse Asfura, do conservador Partido Nacional, no comité de campanha. Já Nasralla, do Partido Liberal, disse que, segundo projecções do movimento, lidera com cinco pontos percentuais de vantagem.
Ambos fizeram campanha focados no receio de que manter a esquerda da actual Presidente Xiomara Castro no poder levasse as Honduras a tornarem-se outra Venezuela, um país mergulhado numa profunda crise.
Muito atrás nos resultados parciais vinha a candidata presidencial de esquerda, Rixi Moncada, de 60 anos, apoiada pelo partido actualmente no poder nas Honduras.
Moncada garantiu na segunda-feira que as eleições “ainda não estão perdidas” e acrescentou que não reconhecerá nenhum como vencedor até que pelo menos 2859 actas de apuramento, que alega terem sido adulteradas, sejam revistas.
No sábado, Rixi Moncada acusou a Administração dos Estados Unidos de “actos de ingerência” no processo das eleições.
“Não há qualquer dúvida de que houve duas acções — a três dias das eleições —, que são totalmente intervencionistas”, disse a candidata. Moncada fez referência ao anúncio de Trump de que vai conceder um perdão ao ex-Presidente hondurenho Juan Orlando Hernandez, alegando que, “segundo muitas pessoas” que respeita imenso, Hernandez foi “tratado de forma muito dura e injusta”.
Hernandez foi condenado em 2024 a 45 anos de prisão por tráfico de droga e crimes relacionadas com armas. Trump também manifestou apoio ao empresário Nasry Asfura.
Se Asfura perder a eleição de domingo, afirmou Trump, “os Estados Unidos não vão desperdiçar dinheiro, porque um líder errado só pode trazer resultados catastróficos para um país”.
Cerca de 6,5 milhões de eleitores hondurenhos foram chamados às urnas no domingo para escolher entre a continuidade de um governo de esquerda e o regresso da direita, numa atmosfera de elevada tensão política e de violência.
Num país assolado pela pobreza, corrupção e violência, os eleitores das Honduras vão eleger o próximo Presidente, mas também os 128 membros do parlamento e centenas de presidentes de câmara, entre outros cargos, para os próximos quatro anos.