Embora tenha sido apontada como um dos seis novos motores críticos de crescimento económico para o plano de desenvolvimento da China até 2030, a indústria dos robôs humanoides está a inquietar o Governo da China.

A China não tem poupado em inovação, com as suas empresas a investirem em maquinaria cada vez mais competente. De facto, entre lutas e corridas, os robôs humanoides nascidos no país estão a conquistar um lugar importante no crescimento da economia.

Agora, contudo, a agência chinesa responsável pelo planeamento económico alertou para os riscos de uma bolha na indústria dos robôs humanoides, numa rara expressão oficial de preocupação relativamente a uma área tecnológica que se tem revelado crucial.

China está a sobreproduzir robôs humanoides

A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, que define a estratégia económica e as mudanças de política, chamou a atenção para a proliferação de robôs muito semelhantes provenientes de mais de 150 empresas a operar na mesma área.

À Bloomberg, a porta-voz da agência, Li Chao, explicou que é importante evitar que esta vaga de robôs humanoides invada o mercado e ponha em causa a concretização de iniciativas de investigação e desenvolvimento.

Segundo Li, indústrias de vanguarda há muito que enfrentam o desafio de equilibrar a velocidade de crescimento com o risco de bolhas. Neste momento, esta questão afeta o setor dos robôs humanoides.

Perante uma crescente ansiedade em relação ao potencial de sobreinvestimento em robôs humanoides, especialmente parecidos, o Governo da China está a apelar a uma maior vigilância, recordando ciclos de expansão tecnológica anteriores, como os relacionados com partilha de bicicletas e semicondutores.

Afinal, o entusiasmo dos investidores tem sido evidente: a Bloomberg destaca que o Solactive China Humanoid Robotics Index, que acompanha as ações de empresas ligadas à robótica, subiu quase 30% este ano, com a Citigroup a projetar que o mercado possa atingir sete biliões de dólares (em inglês, $7 trillion) até 2050.

Este cenário de crescimento colossal prevê-se, apesar de a adoção generalizada destes robôs humanoides em casas e fábricas ainda esteja a vários anos de distância.

Assim sendo, o Governo da China tem um plano assente em dois eixos, segundo Li Chao:

  1. Acelerar a investigação e desenvolvimento de tecnologias centrais;
  2. Apoiar a construção de infraestruturas essenciais de treino e teste.

Além disso, a China pretende promover a consolidação e a partilha de tecnologia e recursos industriais em todo o país, com o objetivo de acelerar a aplicação prática de robôs humanoides.

 

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