Mais de 50 árvores de Natal, 213 metros de grinaldas, 7621 metros de fitas e dez mil borboletas enchem os salões da Casa Branca, acabada de decorar para a época festiva pela primeira-dama norte-americana Melania Trump (com ajuda de 1500 voluntários). A tradicional decoração de Natal — a primeira desde o regresso ao papel de primeira-dama — foi apresentada pela mulher de Donald Trump, que também terá escolhido o tema deste ano: “O lar é onde está o coração”.

“A constante mudança ensinou-me que o lar não é apenas um espaço físico, mas sim o calor e o conforto que carrego dentro de mim”, declara Melania, no comunicado partilhado pela Administração Trump, que define o conceito como um reflexo do que é o carácter americano — algo irónico, quando o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) continua empenhado na deportação de imigrantes. “Neste Natal, vamos celebrar o amor que temos dentro de nós e partilhá-lo com o mundo à nossa volta. Afinal, onde quer que estejamos, podemos criar um lar cheio de graça, brilho e possibilidades infinitas”, acrescenta a mesma nota.

O conceito foi ideia de Melania, mas o desenvolvimento e concretização ficou a cargo do seu designer pessoal, Hervé Pierre, incluindo a ideia das borboletas azuis que decoram a Sala Vermelha, cobrindo não só a árvore de Natal, como as lareiras e os móveis daquele espaço. “A impressionante combinação de cores, aliada ao significado simbólico das borboletas de transformação e renovação, capta a essência do Natal”, descreve a Casa Branca.

As borboletas são também uma alusão ao programa Be Best, a campanha contra o cyberbullying que Melania já tinha liderado no primeiro mandato e que agora retoma. O mantra, que em português significa Sê Melhor, também está impresso nas bolas que enfeitam a árvore de Natal da Sala Vermelha — uma das principais.




Um dos ornamentos Be Best
Aaron Schwartz/Reuters

Não faltam árvores de Natal (ainda assim menos do que as 83 árvores que Jill Biden usou na sua última decoração no ano passado), sobretudo no hall de entrada da Casa Branca, onde também está uma pintura que recria o momento em que Donald Trump foi atingido com um tiro na orelha durante o comício em Butler, na Pensilvânia, em Julho de 2024 — uma memória peculiar para ser recordada na quadra festiva.

A árvore de Natal principal está no Salão Azul e foi recebida pela própria primeira-dama no final de Novembro com pompa e circunstância. Trata-se de um abeto-do-colorado, que veio do Michigan, com 5,5 metros de altura — que fica quase a tocar no tecto da sala, descreve o The Washington Post. Com luzes brancas, a árvore é dedicada às famílias dos militares mortos em combate, com uma flor e um pássaro a representar cada Estado e território. Estes últimos ornamentos foram impressos em 3D, mas desenhados por inteligência artificial, anuncia o gabinete de Melania.




O retrato que recorda o disparo contra Donald Trump
Aaron Schwartz/Reuters

A decoração patriótica repete-se na Sala Leste, decorada nos tons de azul, branco e vermelho, em antecipação dos 250 anos sobre a declaração de Independência dos EUA, que se vão comemorar no próximo 4 de Julho.

Menos séria é a decoração da Sala Verde, dedicada à diversão em família, onde estão dois retratos feitos em Lego de George Washington, o primeiro Presidente dos EUA, e, claro, de Donald Trump com mais de seis mil peças, que “convidam as famílias a divertirem-se e usarem a imaginação juntas”.




Lego de Donald Trump
Aaron Schwartz/Reuters

Não falta também a habitual Casa de Gengibre na Sala de Jantar com vista para a Sala Oval Amarela. A criação replica o edifício da Casa Branca e pesa, nem mais, nem menos, do que 54 quilos. Mas está ausente outro elemento habitual da decoração de Natal, o presépio do século XVIII, que está a restaurar — apenas uma parte pode ser observada pelos visitantes no Grand Foyer.

As obras são um dos motivos por que a decoração deste ano foi reduzida, pois decorrem os trabalhos na Ala Leste para dar espaço ao salão de baile presidencial de mais de oito mil metros quadrados. Melania Trump não deve ter ficado incomodada, uma vez que esta tarefa de decoração, há várias gerações entregue à primeira-dama, não é das suas obrigações favoritas, admitiu a própria.




A Casa de Gengibre
Aaron Schwartz/Reuters

Em 2018, a decoração vermelha de Melania foi alvo de chacota e, dois anos mais tarde, foram tornadas públicas escutas que revelavam a frustração da mulher de Trump com o tema. “Estou a matar-me a trabalhar com as coisas de Natal, mas quem se importa com as decorações de Natal?”, queixou-se. No entanto, neste ano, voltou ao serviço e ainda colocou 75 coroas nas janelas da residência presidencial. Agora, espera receber “dezenas de milhares de visitantes” — em anos anteriores chegaram a ser mais de 100 mil.