Pedro Costa Ferreira assinalou “a vergonhosa evolução das taxas turísticas” que são “um embuste”, pois nem são taxas, nem são turísticas. Não correspondem a qualquer serviço e são pagas por todos. “São mais um ataque de políticos fracos a mercados fracos, que sangra quem, por trabalhar mais e melhor, produz mais resultados”, criticou.
O setor do turismo “é mais competitivo que a economia nacional”, elogiou o líder da APAVT. Tem sido uma zona de resistência à “mediocridade reinante “e “tem permitido crescer, onde todos estagnam”. Descentraliza e acolhe imigrantes, “dando-lhes formação e condições dignas, quando outros os defendem nas ruas para melhor os alojarem em camadas como se fossem escória humana”, precisou.
Falando diretamente para o secretário de Estado do Turismo, o líder da APAVT lembrou a necessidade de clarificar as condições de exercício da atividade, nomeadamente a explosão dos negócios “não convencionais” que tem provocado “dúvidas e incerteza”. E pediu igualdade de oportunidades para todos.
Nova estratégia

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Numa comunicação posterior, o secretário de Estado anunciou um reforço de financiamento que, no próximo ano, irá permitir colmatar algumas carências operacionais e reforçar a fiscalização de angariadores de viagens nas redes sociais e “influencers”. Haverá “uma atenção redobrada, quer do Turismo de Portugal, quer na ASAE, na defesa dos interesses dos agentes turísticos”, prometeu Pedro Machado. O governante salientou que no dia 18 será lançada a nova estratégia nacional para o Turismo 2035 que pretende colocar Portugal nos “dez países mais competitivos do mundo em termos de posicionamento”.
“Tutela absolutamente ignorante”
Sobre a TAP, Pedro Costa Ferreira referiu a revoltante situação da companhia não aceitar cartões de crédito de agências de viagens, mas disse contar com o presidente da TAP para a preparar “para uma privatização com êxito”.
O líder da APAVT pediu ainda uma melhor gestão dos museus e monumentos que “são, sempre foram, das pessoas” e não “têm de ser protegidos delas. Começo a pensar que têm de ser protegidos de uma tutela indigente, absolutamente ignorante e totalmente incapaz de atuar”, criticou, salientando o papel fundamental dos agentes turísticos na divulgação da cultura, mas que continuam a ser tratados como “delinquentes organizados”.
Na abertura do congresso, que decorre até quinta-feira, Pedro Costa Ferreira realçou os 7,7 mil milhões de euros gerados pelo setor, o equivalente a 3,3% do PIB, lembrando que, em 2019, representava apenas 4,2 mil milhões de euros. E assinalou que a distribuição turística teve um impacto global de cerca de 2,9% do emprego global, 3,3% do total nacional das remunerações e 2,6% da receita fiscal arrecadada em Portugal. “Estamos todos de parabéns”, terminou.