A região do Alentejo contabilizou, ao longo de 2024, um total de 21 novos diagnósticos de infeção por VIH. Os dados constam do relatório anual “Infeção por VIH em Portugal – 2025”, elaborado pela Direção-Geral da Saúde em parceria com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. De acordo com o documento, a região apresenta uma taxa de 4,4 casos por cada 100 mil habitantes.
A nível nacional, o estudo confirma que o país continua a registar progressos no combate ao VIH. Entre 2015 e 2024, o número de novas infeções caiu 35%, enquanto os diagnósticos de SIDA diminuíram 43%, prolongando uma trajetória de redução que se tem mantido ao longo da última década.
No Alentejo, os novos casos distribuem-se por várias sub-regiões: 11 no Alentejo Litoral, 5 no Baixo Alentejo, 2 no Alto Alentejo e 3 no Alentejo Central.
O relatório destaca ainda que a maioria das novas infeções continua a ocorrer entre homens, com quase três diagnósticos masculinos por cada caso em mulheres. Cerca de 30% dos casos identificados em 2024 correspondem a pessoas com menos de 30 anos.
A transmissão sexual permanece como a principal via de contágio, representando 97% dos novos diagnósticos. Embora a transmissão heterossexual continue a ser a mais comum, os homens que têm sexo com homens concentram mais de 60% das infeções registadas entre indivíduos do sexo masculino.
O diagnóstico tardio mantém-se como um problema relevante: mais de metade dos novos casos (53,9%) apresentavam valores de CD4 abaixo de 350 células/mm³ no momento da deteção. Entre pessoas com mais de 50 anos, a proporção sobe para 65,4%, um dado particularmente expressivo numa região com população envelhecida como o Alentejo.
Do total de casos registados, 53,6% dizem respeito a pessoas nascidas fora do país, embora a maior parte (72,4%) relate ter adquirido a infeção em território português.
Os diagnósticos foram feitos maioritariamente em ambiente hospitalar (41,5%), seguindo-se os cuidados de saúde primários (26,2%) e as estruturas comunitárias (16,2%). Na grande maioria das situações — 78,9% — a referenciação para consultas especializadas ocorreu no prazo de 30 dias após o diagnóstico inicial.