Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, lançou na terça-feira um duríssimo ataque contra a comunidade somali no país, descrevendo os seus imigrantes como “lixo”, afirmando que a Somália “fede” e declarando que o Governo norte-americano “não os quer no país”.
Fazendo referência às investigações em curso sobre um esquema fraudulento envolvendo imigrantes somalis que resultou em perdas de milhões de dólares para o sistema de serviços sociais do estado do Minnesota, Trump fez uma intervenção inflamada contra a comunidade daquele país africano no final de uma reunião da sua Administração.
Acusando “os somalis” de terem “roubado milhares de milhões de dólares” e de não “contribuírem com nada” para os EUA, o Presidente republicano atirou: “Alguém vai dizer que não é politicamente correcto, mas não me importo. Não os quero no nosso país. O país deles não é bom por algum motivo. O país deles fede e não os queremos no nosso país.”
Para Trump, a Somália “mal é um país, não tem nada”, não “tem estrutura nenhuma” e os seus cidadãos “andam por lá a matar-se uns aos outros”.
Segundo o New York Times, a polícia de estrangeiros e fronteiras dos EUA (ICE) intensificou os esforços para deportar imigrantes somalis residentes nas cidades de Mineápolis e St. Paul, onde reside o grosso da comunidade daquele país da África Oriental. A maioria dos cerca de 80 mil membros vive legalmente nos EUA e muitos são cidadãos norte-americanos.
Continuando a usar linguagem desumanizadora e xenófoba, o chefe de Estado norte-americano aproveitou o tema para criticar a congressista democrata Ilhan Omar, que chegou aos EUA com 13 anos, com estatuto de refugiada, fugindo da guerra civil na Somália.
“O nosso país está num ponto de inflexão (…). Podemos seguir um caminho ou outro, e vamos seguir o caminho errado se continuarmos a aceitar lixo no nosso país. Ilhan Omar é lixo. Ela é lixo. Os amigos dela são lixo”, disse Trump.
Em várias ocasiões, inclusivamente durante e depois do seu primeiro mandato presidencial, Trump afirmou que Omar, e outros políticos democratas com ascendência de outros países, deviam “voltar para a terra deles”.
Numa conferência de imprensa na terça-feira, com outros autarcas, Jacob Frey, presidente democrata da Câmara de Mineápolis, deixou uma mensagem de apoio à comunidade somali. “Nós amamos-vos e estamos convosco. Esse compromisso é sólido como uma rocha”, afirmou.
Segundo o mayor daquela cidade, “visar os somalis” pode significar que “o processo legal será violado, que serão cometidos erros” e que “cidadãos americanos serão detidos sem outro motivo além de parecerem somalis”.
Citando motivos de segurança nacional, a Administração Trump anunciou recentemente a suspensão de todos os pedidos de imigração de cidadãos oriundos da Somália e de outros 18 países não europeus.
A medida lembra o ataque da semana passada contra soldados da Guarda Nacional, em Washington D.C., que fez um morto, e que resultou na detenção de uma pessoa de nacionalidade afegã.