A mostra divide-se em quatro núcleos. O primeiro apresenta António Variações de corpo inteiro ou a três quartos. Faz pose e tem visuais ousados onde predente mostrar como conjugava de forma única roupas vintage e acessórios. O segundo mostra o interior da casa do cantor e os inúmeros objetos que refletem a sua identidade e estética. “É extraordinário olhar para as fotografias da Teresa Couto Pinto e perceber que em algumas o António está em pose e noutras outras vezes está em processo de preparação e de estudo do gesto, do olhar, do movimento do corpo, da forma como olha para a câmara, etc”, descreve a diretora do museu.

No terceiro núcleo há uma carga dramática no olha e no quarto e último surge um conjunto de fotografias das duas sessões preparatórias para a capa do disco Dar & Receber. Todas as imagens mostram um lado íntimo, até de cumplicidade com a câmara ou com a fotógrafa, e foram sempre captadas fora do palco.

Segundo Bárbara Coutinho, a exposição “não é estanque” e flui de forma muito orgânica. “Somos um museu de design e havia uma intenção clara de olhar para o António Variações enquanto uma das figuras maiores da nossa cultura pop, de alguém original, que não se encaixava em lado nenhum e que tratava a imagem como poucos. Era de facto um pós-modernista na verdadeira acessão da palavra porque juntava peças das mais diferentes origens e estilos, fossem elas do folclore ou da cultura internacional. Tinha um grande sentido estético e fazia essa mistura com a imagem, como também fazia na música”, explica a diretora do MUDE.

Das peças que mandava confecionar através de tecidos comprados em retrosarias à bijuteria comprada na Feira da Ladra, passando por um casaco de Pierre Cardin, “António Variações não seguia modas, o António Variações foi um criador, fez a sua própria moda, fez um estilo que era autêntico, original, de uma grande inventividade e isso marcou a época. Portanto, apresentar o António com diferentes conceções de visual foi uma das nossas preocupações”, defende Bárbara Coutinho.