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Um presépio de Natal de nova geração na Grand-Place de Bruxelas

As autoridades belgas estão a investigar o roubo da figura do menino Jesus de um presépio de Natal em Bruxelas, que já tinha sido alvo de críticas generalizadas nas redes sociais devido ao  design invulgar das tradicionais figuras natalícias.

O presépio de Natal instalado na Grand-Place, em Bruxelas, gerou controvérsia desde a sua instalação, com opiniões divididas sobre o design invulgar das tradicionais figuras natalícias — que se apresentam sem rosto.

As reações negativas intensificaram-se durante o fim de semana, depois de a cabeça da estatueta do Menino Jesus ter sido decapitada e roubada, entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado conta o jornal belga The Brussel Times.

As representações do menino Jesus e das restantes figuras do presépio, incluindo Maria e José, tornaram-se tema de polémica nas redes sociais por apresentarem as personagens sem traços faciais distintos, como olhos, nariz ou boca.

O presépio foi criado pela artista alemã Victoria-Maria Geyer, que explicou que o seu invulgar design tem o objetivo de que “todo o católico, independentemente do seu contexto ou origem, se pudesse identificar com a narrativa bíblica”.

“Quisemos fazer um presépio 360º. As caras das personagens são feitas de um tecido que é composto de todas as cores das etnias possíveis e imagináveis, para não discriminar ninguém”, explica a artista e arquiteta, já há alguns anos radicada em Bruxelas.

No entanto, o design não recolheu unanimidade. Georges-Louis Bouchez, líder do partido centrista belga MR, criticou publicamente a obra na rede X, afirmando que “as figuras em tecido da Sra. Geyer em nada representam o espírito do Natal“.

Bouchez foi mais longe, e comparou as figuras a “zombies” semelhantes às pessoas que se veem nas estações de comboios. “O presépio na Grand-Place de Bruxelas é absurdo e um insulto às nossas tradições. É insuportável ver as nossas tradições serem constantemente deturpadas”, escreveu.

Christine, uma educadora de infância ouvida pelo The Brussel Times durante uma visita de estudo com os seus alunos, acha que a ideia poderia ter resultado, mas sente que é inadequada.

“Acho que o conceito poderia ter sido interessante, mas não sei se faz muito sentido para a história do Natal. Como obra de arte, até poderia ser bonito, mas talvez num museu em vez de uma praça pública“, considera a educadora de infância.

Geert, um padre de Wezembeek-Oppem, não vê qualquer problema na nova representação: “Continua a ser um presépio”, afirmou. “O significado está lá. É belo, profundo, simples, mas as pessoas precisam de se rever nele“.

O roubo da controversa figura veio agora acrescentar mais um elemento de mistério ao já muito discutido presépio.

O controverso Menino Jesus sem cara criado pela artista alemã Victoria-Maria Geyer

Esta não é a primeira vez que o presépio da Grand-Place é alvo de vandalismo. Em 2017, a estatueta do Menino Jesus desapareceu e nunca foi recuperada. Em 2014, a cabeça do Menino Jesus foi retirada por ativistas durante um protesto político. E em 2015, três jovens vandalizaram o presépio durante a noite.

No ano passado, mais de quatro milhões de pessoas visitaram o mercado de Natal no centro histórico de Bruxelas para provar vinho quente e chocolate quente e fazer compras em 238 bancas de brinquedos, vestuário e decorações, recorda o The Independent.

O centro da praça é dominado por uma enorme árvore de Natal que se ergue sobre uma tenda branca simples onde está o presépio com as figuras feitas por Geyer, que se assume como católica devota — e cuja obra foi escolhida tanto pela Igreja Católica local como pela Câmara de Bruxelas.

Segundo a Sudinfo, o custo total do presépio ascendeu a 65.000 euros, excluindo a montagem e a desmontagem, para uma instalação que deverá durar cinco anos. Foram contactados sete artistas, mas o desenho de Geyer foi o escolhido.

Para Christine, não é claro porque é que o cenário custou tanto. “Imagino que fazer algo à mão com tecidos custe mais do que manequins de plástico que reutilizamos todos os anos”, diz a educadora de infância. “Mas 65.000€? Não percebo mesmo.”

A sua principal preocupação, porém, é o significado das invulgares figuras. “Para mim, é uma provocação sem propósito. Quando era pequena, até havia animais verdadeiros no cenário. As coisas mudam, claro, mas os rostos importavam. As expressões contam uma história”.


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