No texto em que comentou o episódio final de “A Cadeira“, exibido no último domingo (30), o diário inglês The Independent expressou sua empolgação lançando uma pergunta no título: “Tim Robinson é o homem mais engraçado do mundo?”. E respondeu: “Poucas pessoas têm argumentos tão convincentes para reivindicar o título quanto Tim Robinson”.
Dez dias antes da exibição do delirante episódio final, a HBO já havia anunciado que fará uma segunda temporada. Segundo a empresa, “A Cadeira” foi a série de comédia estreante com maior número de espectadores nos Estados Unidos na história da plataforma.
“The Chair Company”, título original da série, não é o primeiro trabalho engraçadíssimo de Robinson em parceria com Zach Kanin. A dupla é responsável pela série “I Think You Should Leave”, exibida em três temporadas pela Netflix, entre 2019 e 2023. E no ano passado o comediante protagonizou, ao lado de Paul Rudd, “Amizade Tóxica“, dirigido por Andrew DeYoung, um filme tão divertido quanto incômodo, disponível no Prime.
Na superfície, “A Cadeira” é uma comédia de escritório. Robinson interpreta Ron Trosper, um gerente recém-promovido com a missão de tocar o desenvolvimento de um novo shopping. Em torno dele, multiplicam-se os tipos mais bizarros e engraçados possíveis.
Mas, por causa de um incidente envolvendo uma cadeira, Trosper logo perde o foco e se envolve obsessivamente em uma investigação surreal, que se desdobra em diferentes conspirações e mal-entendidos. Robinson cria um tipo paranoico, perturbado e carente, mas sem perder o prumo ou apelar para gestos exagerados. É um esquisitão que desperta curiosidade, pena e risadas.
É até difícil acompanhar a lógica de algumas tramas, tão delirante a história vai avançando, ao longo de oito episódios. Mas a diversão maior vem dos diálogos sempre surpreendentes e das situações constrangedoras e sem pé nem cabeça, que muitas vezes deixam o espectador em dúvida sobre quem é, exatamente, o alvo da piada –algum outro personagem, alguém que conhecemos ou nós mesmos.
Robinson começou no Saturday Night Live, em 2012, mas não se encaixou no elenco. No ano seguinte, passou ao time de roteiristas, mas teve dificuldade para emplacar seus esquetes no mais tradicional programa de humor da TV americana.
Muitas das ideias que ofereceu sem sucesso ao SNL reapareceram, poucos anos depois, em “I Think You Should Leave”. A série que deu visibilidade ao comediante é uma coleção de esquetes, vinhetas e ideias soltas, sempre no limite do absurdo. Para quem não conhece, vale a pena ver essa série antes de assistir a “The Chair Company”. É uma espécie de introdução ao humor do comediante.
Robinson é quase sempre o protagonista das situações. É o tipo que se sente diminuído entre os colegas porque não conhece nenhum meme. É o sujeito que estraga qualquer reunião, por motivos fúteis ou falta de traquejo. É o apresentador de talk show que deixa de interagir com o entrevistado e afunda na poltrona para olhar o celular. É o cara que não sabe como reagir quando um professor come o hambúrguer que ele pediu na lanchonete.
Ele também ri muito da televisão com paródias demolidoras de realities shows e programas de auditório, como “A Competição dos Meninos Bombados 2021”, e um constrangedor concurso de “bebê do ano”.
Depois de ganhar três Emmy com “I Think You Should Leave”, Tim Robinson é um nome forte para faturar os principais prêmios do ano que vem com “A Cadeira”. Será, se isso ocorrer, a consagração de um tipo de humor corajoso e desafiador, que faz falta na TV.
Colunas
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.