Os funcionários de uma loja de bebidas norte-americana em Ashland, Virgínia, apanharam um susto quando abriram o espaço, no sábado, e encontraram o chão coberto de garrafas partidas — e, na casa de banho, um guaxinim estendido no chão, aparentemente inconsciente e com sinais claros de intoxicação. O animal acabou por ser encontrado entre a sanita e o caixote do lixo, deitado de pernas abertas, depois de uma noitada tão caótica quanto improvável.
A loja tinha estado fechada no feriado do Dia de Acção de Graças e, durante a ausência de clientes e funcionários, o intruso terá caído através de uma das placas do tecto. A partir daí, segundo afirmou a agente de controlo animal Samantha Martin ao Daily Mail, o guaxinim entrou “num autêntico desvario, bebeu tudo o que encontrou”. Entre os destroços havia várias garrafas partidas daquilo que parece ser a bebida de eleição do guaxinim — whisky escocês (ou scotch).
O animal foi recolhido pelo Hanover County Animal Protection and Shelter, onde recuperou da bebedeira. O serviço confirmou que o guaxinim estava embriagado quando foi encontrado. Mais tarde, já totalmente sóbrio depois de umas horas de sono, apresentava “zero sinais de ferimentos, a não ser uma possível ressaca e algumas más decisões”. Depois de descansar, foi libertado na natureza.
Entre os destroços havia várias garrafas quebradas daquilo que parece ser a bebida de eleição do guaxinim — whisky escocês (ou scotch)
Facebook/Hanover County Animal Protection and Shelter
A loja, que descreveu o episódio como um “arrombamento de Black Friday”, agradeceu publicamente às equipas de protecção animal pela ajuda e por terem dado ao visitante “uma boleia para casa completamente sóbria”.
O consumo de álcool por animais não é uma raridade — um estudo recente, citado pelo The Guardian, mostra que ocorre em quase todos os ecossistemas, sobretudo entre espécies que consomem frutos ou néctar fermentado. E alguns episódios são quase tão surreais quanto o da Virgínia.
Na Austrália, um porco selvagem tornou-se notícia quando roubou três grades de cerveja num parque de campismo, bebeu as 18 latas e acabou envolvido num conflito com uma vaca. Já na Turquia, uma cria de urso pardo foi resgatada depois de ingerir mad honey (ou deli bal, em turco: significa mel louco), um mel produzido a partir de rododendros que contêm substâncias neurotóxicas e pode provocar efeitos alucinogénicos.
Guaxinins cada vez mais urbanos — e mais adaptados a nós
O caso insólito acontece numa altura em que vários estudos apontam para profundas mudanças no comportamento dos guaxinins em zonas urbanas: estes animais estão a desenvolver traços físicos associados a processos de domesticação, como focinhos mais curtos, dentes mais pequenos, cérebros de menor dimensão, caudas mais encaracoladas e orelhas menos rígidas.
A bióloga Raffaela Lesch, citada pelo The Guardian, da Universidade do Arkansas em Little Rock, explica que a razão é simples: “Onde há humanos, há lixo. E os animais adoram o nosso lixo.” A adaptação passa, segundo Lesch, por tolerarem a presença humana em troca de uma fonte de alimento conveniente.
Em cidades como Toronto, a convivência intensa entre espécies tornou-se quase numa rivalidade cultural: o popular slogan Toronto vs Everybody (Toronto contra todos) foi substituído por uma versão humorística — Raccoons vs Toronto (Guaxinins contra Toronto) — reflectindo a omnipresença destes animais na região e a batalha diária dos moradores para proteger os seus caixotes do lixo.