A bem calibrada interpretação de Russell Crowe como Hermann Göring é a melhor coisa deste baço e pedestre filme de James Vanderbilt, baseado no livro The Nazi and the Psychiatrist, de Jack El-Hai, passado durante os Julgamentos de Nuremberga, entre 1945 e 1946, e que se foca nas relações entre Göring e Douglas Kelley (Rami Malek), o psiquiatra americano encarregue de analisar o estado mental e as características psicológicas das personalidades nazis que iam ser julgadas. Kelley interessou-se particularmente pela figura carismática e astuta do corpulento marechal do Reich, chegando mesmo a servir de correio entre ele e a mulher a filha. Como é habitual neste tipo de fitas, há muitas facilidades e simplificações caricaturais (incluindo uma sequência grotesca no Vaticano entre o Papa Pio XII e o procurador dos EUA Robert Jackson) e mistura de factos e liberdades dramáticas, e Nuremberga sofre também pela realização massuda e com muita exposição de Vanderbilt, além da medíocre prestação de Malek como Kelley.
Teresa Villaverde filma o “depois” dos incêndios de 2017 em Pedrógão, através de um punhado de personagens afetadas pela tragédia: um homem que perdeu a mulher e sobreviveu, embora muito queimado (José Ricardo Vidal), e a sua filha pequena (Madalena Cunha, a Justa do título), uma cega (Betty Faria) cujo marido morreu dentro do carro e que a filha rejeita, e é ajudada por Simão, um adolescente local, ou uma psicóloga (Filomena Cautela) que não é da região e foi para lá para ajudar, mas se sente impotente e ultrapassada pelas circunstâncias. A dor e o luto, a desesperança e os traumas, a possibilidade ou não de recuperação e superação estão no centro de Justa, embora o filme confunda gravidade de tom com astenia dramática, e vagar no relato com prostração narrativa, e pene em estabelecer a necessária ligação emocional com o espectador, para o fazer interessar-se pelas personagens e pela sua condição. Outro problema é a inexperiência de Madalena Cunha, que (e não por culpa dela) compromete as cenas em que aparece.
No seu primeiro filme desde Ned Rifle, de 2014, Hal Hartley põe em cena Joe Fulton, um quase sexagenário realizador novaiorquino de comédias românticas de sucesso, que está semi-reformado e vai concorrer ao cargo de ajudante de jardineiro do cemitério da igreja perto do prédio em que mora, porque lhe apetece trabalhar manualmente ao ar livre e chegar ao fim do dia saudavelmente fatigado. Ao mesmo tempo, Joe decide também fazer o testamento e vai falar com a sua advogada. A namorada dele, que é atriz e dada a atitudes exageradamente dramáticas, e a sobrinha e secretária, que é muito devotada ao tio, deduzem então que Joe tem uma doença terminal e vai morrer em breve, e quando o boato se espalha, amigos, vizinhos, a ex-mulher do realizador, conhecidos e até mesmo alguns desconhecidos, começam a afluir ao seu apartamento. Onde Aterrar foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.